Dezembro, mês em que se celebra o Natal. Mês de grande azáfama, de grande frenesim entre as pessoas, porque as tradições (ainda) são mais fortes que a crise que se instalou entre nós e que promete ainda trazer capítulos mais angustiantes. Para a Madeira, para os madeirenses e para o desporto de competição que por cá prolifera. Mas isso é matéria para outras crónicas. Mês de Dezembro quase no fim, a por termo também ao ano. Para o Marítimo, Dezembro foi também intenso e particularmente exigente. Jogar quatro vezes consecutivas contra os grandes do futebol português é um quadro inédito, ou quase, no quadro competitivo do futebol português. Marítimo que, por culpas próprias e alheias, pagou cara a ousadia de querer discutir os jogos e os resultados em todos esses confrontos. Com lesões (leia-se Ruben Ferreira, o jovem promissor lateral esquerdo madeirense) e castigos. Uns justos outros nem por isso. Mas, se estivermos atentos às estatísticas oficiais da Liga, nos diferentes itens do jogo, concluir-se-á que o Marítimo é a melhor equipa nos duelos (somando os duelos aéreos e no solo), sendo neste aspecto, sobretudo, que Pedro Martins soube construir uma equipa diferente no actual campeonato português. Uma equipa que sabe esconder as suas limitações com um futebol de pressão alta, em que todos lutam de forma agressiva e intensa, consubstanciada num meio campo coriáceo que procura ganhar a bola e lançar na frente os rápidos Sami (mais um valor que se assume), Baba e Danilo Dias ou Heldon. Se até Dezembro o Marítimo não tinha mais que uma média de três cartões por jogo, nos jogos com os grandes essa média subiu exponencialmente e cerceou muitas das possibilidades que a equipa tinha na discussão desses jogos. E, jogar com 10 elementos durante quatro jogos, foi, de facto, uma experiência dura que o Nacional agora também sentiu no jogo da Taça. Por falar em Taça de Portugal, Marítimo e Nacional traçaram caminhos similares, em termos de estoicismo e sofrimento. Com os alvi-negros, a deixarem pelo caminho fortes adversários como o Paços de Ferreira, Tirsense e Moreirense. A manter a alta eficácia nos pontapés da marca de grande penalidade, será o Nacional um dos mais fortes candidatos a vencer o troféu, mesmo com o Sporting, agora, como adversário nas meias-finais da competição. Sem ironia! O Marítimo, que 'apenas' afastou o Benfica e foi ultrapassado pelo Sporting (que o Nacional pode vingar) na Taça, tem agora, no novo ano, mesmo sem Baba, a oportunidade para se agarrar ao campeonato - a Taça da Liga é uma treta - e consolidar o 5º lugar com que, com alguma tranquilidade, termina o ano de 2011. E confirmar novos valores para o futebol português. Aproveito a oportunidade para desejar a todos quantos leiam esta crónica, o ano novo repleto das maiores felicidades.
Emanuel Rosa - Repórter