Há quem não saiba o que são direitos de autor, porque se o soubessem haveria mais respeito pela criatividade dos seus criativos; existiria, muito mais cuidado em perceber que existem infinitas autorias que devem ser honradas. A questão de autoria não nasce apenas no momento em que escrevemos um romance, um poema ou uma peça de teatro, nasce também no instante em que criamos - para um espectáculo - o desenho de luz, a sonoplastia, a cenografia, os figurinos e adereços, as composições musicais, as letras das canções, uma coreografia, uma encenação - ou outra qualquer obra imaginada e criada por um indivíduo. Não podemos de forma alguma, dentro das regras da ética, apoderarmo-nos de um trabalho sem a autorização do seu autor, a menos que tenhamos assinado um contrato de rescisão de direitos. Mesmo nesta situação a ética artística, que marca a diferença entre artistas e mercenários de arte, impulsiona-nos a comunicar ao seu mentor ou a utilizar a referência "a partir de" determinado autor e respectiva obra. Senão, estaremos a utilizar o trabalho dos outros, como se de um rascunho se tratasse, para um nosso brilharete em início de carreira. Fico sem perceber, por vezes, se o que leva certos indivíduos a quebrarem certas regras de ética civilizacional será o oportunismo ou a mera ignorância, instalando-se arrogantemente através do trabalho de outros. Arte é arte e o que é de cada um é de cada um. Não há nada que nos impeça historicamente de saber de onde foi a procedência, se pretendermos vasculhar as suas origens, isto nos dias de hoje, onde existe muita informação e comunicação datada, reproduzida e assistida. É por isso que fico seriamente preocupado quando nos apropriamos do que é do "vizinho" e fazemos o que nos apetece sem pedir a sua autorização ou simplesmente informá-lo do que está para acontecer. E tudo isto, de direitos, a propósito de indivíduos que fazem de suas as palavras dos outros. Muito mau! Mau mesmo! Crime puro (artístico claro, neste caso, mas que revela o carácter das pessoas em questão). Eu, um indivíduo que nunca coloquei nada dos meus trabalhos, conhecidos e desconhecidos, na Sociedade Portuguesa de Autores, não tenho até ao momento preocupações, mas se fosse o caso imporia um processo imediato. Não é uma questão de euros mas sim de respeito pelo trabalho dos outros. Claro que estou sujeito, quando não patenteio as minhas criações, a que me possam roubar tudo o que de bom ou de mau faço e estruturá-lo a seu bel-prazer com uma nova assinatura sem me dizerem "água vai". O mais irónico é quando alguns indivíduos, que desrespeitam os direitos dos outros, não têm pudor em processar qualquer falha de um prevaricador, que não eles.

Eduardo Luiz, Actor