
Desde 9 de Outubro que só se conhece uma medida concreta implementada na Madeira: a constituição dos membros do Governo Regional. Aquilo que verdadeiramente importa não passa de futurologia, de conjecturas negadas até à exaustão. O buraco financeiro é o problema de fundo mas tem se afundado sem que governante algum tenha mão. Quando a derrapagem do défice já ia de vento em popa, suscitando alertas do Tribunal de Contas, não havia Quinta Vigia que o controlasse. Todos se abstiveram, ao longo de vários meses, de se conter nos gastos e de elaborar uma proposta para o plano de resgate com medidas concretas de corte da despesa pública e de aumento da receita fiscal, sem desvios de conversa, sem ocultações de gastos, sem silêncios perturbadores, sem preconceitos ou desvarios.
O obreiro da dívida, nada e criada na Madeira, teima em não assumir, perante os madeirenses, e com o sentido de responsabilidade que lhe é caro, os compromissos necessários e urgentes para o ajustamento financeiro, também para apaziguar o clima de instabilidade e a indefinição instalada que ensombra o futuro. Primeiro adiou-se a revelação para depois das eleições, agora tenta-se adiar para depois do Natal, como se 2012 não passasse de uma tola profecia.
Já ninguém acredita no Pai Natal quanto mais em pistoleiros mais rápidos do que a própria sombra. Alguém tem de explicar ao Dr. Jardim, que mais tarde ou mais cedo, todos saberemos quem pressionou o gatilho para fazer disparar o preço do ISP dos combustíveis, do IVA, do IUC, do IRS e do IRC. De que serve continuar a negar as evidências se há muito que o seu governo treina a pontaria em segredo para apontar portagens automáticas nas vias rápidas ou para cobrar mais pelos serviços hospitalares, mais pelos transportes públicos e mais pela educação?
A palavra é um bem demasiado nobre para esgotar-se nos palcos dos comícios, nas inaugurações ou nas longas alocuções sobre a história autonómica da Madeira. Mais do que nunca, o presidente de todos os madeirenses deveria dirigir uma mensagem de Natal tranquilizadora mas com verdade. Optou pelo silêncio, mais uma vez. Mas não vale falar apenas para oferecer tolerâncias de ponto, feriados e borlas. A bem da estabilidade e da imagem da Madeira no exterior, seria desejável que um governo que exerce o poder há 35 anos desse um sinal de maturidade política numa Região Autónoma já devidamente entroncada. Depois de tanto espernear, exigir e ameaçar os "colonialistas centralistas", sabe-se que a gestão da dívida será controlada a partir de Lisboa. Os bons governos encontram-se em momentos como este. Ora, se não bateu no fundo, esta Autonomia ‘entroikou’ de vez.