A comunicação social livre mobiliza as massas. Ausência de rigor isenção e verdade, ganha mais adeptos do que qualquer político populista e irresponsável. Daí a responsabilidade das pessoas que semanalmente comentam a bola e com mais paixão decisões arbitrais. Vem a propósito o que foi dito por "residentes" nos canais Nacionais RTPN e SICN no jogo Marítimo/Benfica. Não vou manifestar a minha opinião sobre os mesmos, mas porque foram ditas inverdades, atropelos à lei, considero que o adepto deve estar munido de informação para opinar sobre os lances. É o objectivo desta minha crónica. Aliás como líderes de opinião as TV´s têm obrigação e o dever de serviço público, sobretudo a RTPN paga pelos contribuintes, leia-se adeptos. Amarelo ao Oberdan - Repetido até á exaustão que não existiu falta porque o jogador não tocou no Maxi Pereira. E ficou analisado o lance de uma forma simplista. Na lei 12 é falta se "um jogador passar ou tentar passar uma rasteira a um adversário". "Se mostra falta de atenção e consideração ao entrar sobre um adversário, ou que actua sem precaução trata-se de negligência punida apenas tecnicamente com pontapé livre". "Se no entanto, considerar o árbitro que, o jogador actua sem ter em conta o perigo ou as consequências do seu acto para o seu adversário, trata-se de acção imprudente e deverá ser advertido". Impetuosidade, velocidade, possibilidade, intencionalidade são variáveis a ter em conta. O futebol é um jogo de contacto físico e portanto sempre que tal aconteça não será sempre falta nem ao contrário. Um automóvel em hora de ponta a 150 km/H na rua Fernão Ornelas mesmo não atropelando ninguém, não deixa de ser crime. Lance de Aimar e Peçanha. Um famoso comentador solitário na SICN. "A dúvida no lance tem a ver com o local do contacto. Se foi dentro ou fora da área de baliza". Trata-se de asneira colossal. O local da falta nada tem a ver para a decisão, uma recomendação já do século passado. O que diz a lei? "Há falta quando um jogador impede os movimentos do guarda-redes" e "Carregar um adversário consiste em tentar conquistar espaço através do contacto físico, com a bola á distância jogável, sem fazer uso dos braços ou dos cotovelos". São estas duas variáveis a ter em conta em lances idênticos. Deixemos, por agora, os futebóis, vamos às missas do parto, matanças dos porcos e a casa de amigos ou vizinhos onde o Menino Jesus já vai fazendo "xixi". Aproveito para desejar um Bom Natal e um Ano Novo próspero. Já que dizem que temos de ter esperança…

Francisco Costa - Técnico de arbitragem