O empresário e a sua fórmula para o sucesso: coloco a minha firma a funcionar num sítio onde o custo laboral é baixo, não estou muito preocupado com os direitos laborais dos trabalhadores desse país. A China é uma boa opção, não me incomoda tratar-se de um regime totalitário que oprime o seu povo, desde que o preço de produção seja baixo. Depois, a preço bem mais elevado, importo o que produzo através de uma empresa em offshore, como lá a taxa de imposto sobre os lucros é reduzida, não perco muito dinheiro. Afinal vou ganhar bastante dinheiro quando vender o produto no mercado Europeu. Agradeço a existência do offshore da Madeira para poder operacionalizar este esquema, mas se o CINM desaparecer vou para outro à escolha. A lógica dos governos ocidentais: O nosso tecido industrial está a degradar-se, muitas firmas estão a deslocalizar-se e a produzir na China. Como os produtos têm de qualquer forma ser importados para a Europa, vamos criar um paraíso fiscal, uma zona franca com taxas fiscais baixas, e aplicar um imposto residual que mesmo assim vai render milhões sobre o volume de transacções. Esta opção parece legítima pois a Europa aparenta ser incapaz de se entender quanto ao fecho concertado destas zonas francas e nós não queremos perder dinheiro. Esta história está simplificada e a figura do offshore serve os propósitos de "planeamento fiscal" de múltiplas outras actividades para além deste exemplo da área comercial. Repararam que no precedente, as motivações foram todas explicitamente de índole financeira, tanto para o empresário como para o governo. O que se veio a globalizar foi a competição pela maximização do proveito material. O bem-estar material é certamente importante, mas para muitos tornou-se um fim em si mesmo. Primeiro ensaio de uma fórmula alternativa para o bem universal: Vamos viver de acordo com outros valores, valores éticos universais, não importa que outros não sejam capazes de o fazer, a mudança começa em nós, que ela se espalhe à sociedade e daí, pela força do seu justo fundamento conceptual, a todos no planeta. Dê o seu melhor, veja o que em si quer globalizar!
Rui Almeida - Deputado do PAN