Nas entrelinhas estratégicas dos planos de marketing para o próximo ano, uma coisa é certa: incerteza. É tempo para focar, agir, medir os sinais e os resultados, acreditando e gerindo com convicção, sem cruzar os braços. Tendo em conta, entre outros, dois factores que quero hoje explorar: simplicidade e persistência. Nas acções de marketing, a simplicidade "aparente" é fundamental. Mais do que nunca! Mesmo que, por detrás, os processos sejam francamente mais complexos. Quando comunicamos, temos de assumir que o público-alvo tem muito menos tempo e paciência do que nós para prestar atenção àquilo que lhe queremos dizer. Logo, é preciso garantir que o potencial cliente recebe uma mensagem genuína, pertinente e com significado. Não uma mensagem pertinente para o emissor, mas uma mensagem pertinente para o destinatário. Este estágio, a que muitos chamam de "Keep It Simple" para não lhe acrescentar outros nomes, dá trabalho, dá muito trabalho! "Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura". A sabedoria popular expressa a experiência acumulada de muitas gerações… Também no marketing é fundamental persistência e consistência na comunicação. Tanto mais fundamental quanto mais dispersos forem os mercados alvo e quanto menor for o orçamento para investir. Por exemplo, uma marca que comunica para o seu público-alvo uma vez por ano e com pouca capacidade de distribuição da mensagem, deve garantir que existe ligação entre as suas interrompidas "aparições". Imagens, estilos, mensagens, logotipo, assinatura, textos, e demais simbologias, devem ser muito semelhantes, confluentes e consistentes ao longo de vários anos. De modo a conseguir deixar uma memória… Por outro lado, se uma marca tem uma capacidade de distribuição da mensagem maior e actua de forma mais frequente junto de um público-alvo, normalmente mais concentrado e homogéneo, onde existe maior conhecimento, então a dinâmica da comunicação pode e deve ser maior, entrando nas campanhas temáticas e nas variações ao longo do ano. Mas sempre garantida a consistência! Quantas vezes assistimos a sucessivas e rápidas alterações da comunicação e da campanha apenas porque estão as organizações "fartas" da imagem, gastando recursos extra e comprometendo a consistência? Mas o que interessa é o cliente… Estas duas condições sem que se castre a tão preciosa inovação! Tema que exploro noutra altura.
Fabíola Pereira - Gestora de Marketing