Ricardo Silva, Enf. - Hospital Dr. Nélio Mendonça, Funchal Os tempos são difíceis, e a crise social que se instala exige dos enfermeiros um redobrado empenho. Acredito que o novo organismo da classe - nomeadamente o da Região Autónoma da Madeira - irá reforçar o seu papel junto dos seus membros, inovando soluções para poder garantir a qualidade dos cuidados de Enfermagem aos cidadãos da Madeira e do Porto Santo. Tenho uma preocupação: a defesa de um projecto que pretenda colocar em primeiro plano os cidadãos que necessitam de Cuidados de Enfermagem, através de uma efectiva regulação da profissão, aproximando os enfermeiros e a sociedade na busca das melhores respostas a cada um dos seus projectos individuais de saúde. Eu acredito ser possível fazer melhor e percorrer caminhos mais adequados aos desafios internos e externos que se deparam aos Enfermeiros. Internamente continuo a lutar pela melhoria dos serviços prestados aos membros e numa maior proximidade que dê voz a todos os enfermeiros, com custos de funcionamento substancialmente mais reduzidos. São disso exemplo, o incremento das tecnologias de Informação e comunicação que irão permitir uma maior celeridade nas respostas às solicitações dos enfermeiros, como a videoconferência na substituição de algumas reuniões presenciais e na divulgação de formações estruturantes. Defendo a possibilidade de referendo na tomada de decisão das grandes causas comuns da Enfermagem e a primazia da correspondência electrónica versus suporte de papel entre outras. Ao nível externo acredito ser necessário dar visibilidade ao trabalho dos enfermeiros e responder com eficácia às frequentes ameaças a Autonomia da intervenção dos Enfermeiros. É necessário criar um gabinete de planeamento estratégico a fim de aumentar a capacidade de intervenção social dos enfermeiros e contribuir para o reconhecimento pelas demais profissões de saúde e da sociedade em geral. Ao nível das políticas de saúde acredito, ser necessário introduzir nos sistemas de financiamento da saúde, indicadores sensíveis aos cuidados de enfermagem, para que o trabalho dos enfermeiros deixe de constar como rubrica de despesa e passe a ter o lugar que merece, o de ganhos efectivos de saúde para o cidadão. Ao nível da defesa da qualidade dos Cuidados de Enfermagem aos cidadãos a Ordem na Madeira terá de ser mais interventiva. Defendo que a introdução dos Padrões de Qualidade dos Cuidados de Enfermagem não pode ficar à livre adesão das Instituições. Questões como cuidados de proximidade, dotações seguras, guias orientadores de boa prática e pareceres terão forçosamente que deixarem de ser encarados como recomendações e passarem a ter carácter vinculativo. É preciso e necessário a efectiva implementação de um modelo de desenvolvimento profissional, que garanta ao cidadão que a atribuição do Título de Enfermeiro ou de Enfermeiro Especialista, significa na prática garantia de qualidade efectiva e segurança dos cuidados. Penso que é possível colocar a Investigação em Enfermagem a produzir Acção, para que a tomada de decisão clínica em Enfermagem, seja baseada cada vez mais em evidências sólidas, contribuindo para o crescimento do corpo científico da profissão. Eu acredito que os enfermeiros na Madeira saberão defender o melhor para a classe.