Vivemos num mundo onde só se ouve falar ou ler em cortar e reduzir. É confrangedor verificar que nos últimos 20 anos o país iniciou um processo de deterioração tão profundo que atinge o seu auge actualmente, não por falta de sacrifícios dos portugueses, em especial nos últimos 5 anos, que viram os seus rendimentos cada vez mais reduzidos e regalias banidas em prol do interesse do país e do nosso futuro. Afinal tudo o que nos foi pedido não serviu rigorosamente para nada a não ser levar o país para o limiar da bancarrota e enriquecer ainda mais os que já beneficiavam dessa situação e criar uns novos ricos à custa do sacrifício e suor dos portugueses. Muda-se o governo e somos de novo confrontados com cortes mais severos e novos aumentos de impostos que irão contribuir para o maior empobrecimento da maioria das famílias portuguesas. Mas o que dói mais, é a falta de visão da classe política dominante nos últimos anos de vida do país, uns e outros, qual «farinha do mesmo saco», que estando no poder é uma coisa e na oposição é outra com medidas tão contrárias às que defendiam quando eram uma coisa e outra. Depois admiram-se se os portugueses não gostam dos políticos. Há razão de sobra para tal porque de facto não centram a sua actuação em prol do bem estar da comunidade que dizem defender. O orçamento de Estado para 2012 é uma péssima visão do que deve ser a orientação política e económica dos governos. Esquece a pessoa e centra toda a sua acção em torno de um desígnio, redução do deficit das contas públicas e da divida externa, que não se questiona mas que não pode ser conduzido da forma como está a ser, que tem de ser cumprido mas que não pode de forma alguma lesar ainda mais os interesses dos cidadãos. O projecto de orçamento em discussão é uma afronta ao bem estar e felicidade dos portugueses, é um atentado ao desenvolvimento económico do país sem incentivo ao seu crescimento e à produção de riqueza e sobretudo à criação de emprego tão vital para a própria sustentabilidade do país. Não é por acaso que a sociedade começa a revelar sinais preocupantes de inquietação e de indignação perante uma classe política tão deprimente e reveladora de incapacidade para solucionar os problemas que nos afligem. O tempo dirá, mas aproxima-se cada vez mais o momento de implantar-se um novo modelo económico e social assente na pessoa que promova o seu bem estar e felicidade. Esse modelo deverá acabar com as fortunas para usufruto exclusivo, aproveitando-as para promover a eliminação da pobreza e miséria que cada vez mais prolifera neste planeta e para salvaguarda da própria existência do homem na Terra.

José Manuel Oliveira