As especificidades de que se reveste a arbitragem e o ajuizamento desportivo em jogos/competições de crianças e jovens são um dos temas mais importantes a ter em conta quando analisamos o processo de iniciação e formação desportiva. A maioria das pessoas em geral, e os agentes desportivos em particular, sente uma grande "atracção" pela arbitragem. Sentem-se atraídos para comentá-la, muitas vezes sem ter conhecimentos para fazê-lo, mas fundamentalmente sem conhecer os pressupostos e os requisitos que estão inerentes à função. A comunicação social dedica grande tempo à arbitragem, ou melhor, aos erros da arbitragem e do futebol em particular. Os técnicos e dirigentes escolhem-na muitas vezes como forma de justificar os seus erros e insucessos. Os próprios responsáveis pela arbitragem apenas reagem perante as adversidades e os acontecimentos em vez de prepararem o futuro adaptando-a aos tempos modernos. O público, influenciado por tudo isto, habituou-se, desde tenra idade, a analisar, opinar e, mais grave que isso, a emitir juízos de valor sobre uma função que não conhece. Aos jovens árbitros exige-se, igualmente, que no início da sua actividade já disponham de todas as competências inerentes à função, esquecendo-se que tal como os praticantes devem passar por um processo de iniciação e formação desportiva contínua sem queimar etapas de desenvolvimento. Exige-se que sejam pedagogos, psicólogos… no fundo que, em menos de 2 horas, resolvam aquilo que treinadores, dirigentes e família não conseguiram durante a semana, o mês, o ano. Esquece-se que os jovens juízes também precisam de formação, preparação e acompanhamento em áreas tão sensíveis como estas.

Elmano Santos, Presidente da ATARAM