Durante onze dias do mês de Outubro pudemos fruir de excelentes concertos de Órgão em oito das nossas Igrejas onde estes Instrumentos foram restaurados pela DRAC. Apesar de não ter assistido a todos eles, posso assegurar a qualidade artística daqueles a que assisti, com especial destaque para o concerto de encerramento com a Orquestra Clássica da Madeira, no qual a Igreja do Colégio esteve completamente lotada. Penso que teria tantas pessoas de pé quanto as sentadas. A verdade é que os concertos de Órgão atraem imenso público de entre os residentes e os turistas. São, de certeza, aqueles onde a proporção de residentes chega a ser superior aos turistas. Então quais as razões desta "atração"? Apesar de não ser historiador, acredito na seguinte tese: o Órgão foi o instrumento, excluindo os da tradição popular, que mais foi ouvido pelos madeirenses, existindo entre nós desde o século XVI, altura em que o cónego Gaspar Coelho ocupou o cargo de organista da Sé do Funchal. A maioria das nossas Igrejas tinha o seu Órgão, em muitos casos de boa qualidade e que, de quando em vez, eram tocados por insignes organistas, muito em especial nas tradicionais festas de verão em honra dos Oragos das Paróquias e outras solenidades religiosas. Entre os organistas que se destacaram nos últimos dois séculos, e citando Rufino da Silva, no seu livro 'Um Século de Música Sacra na Madeira' destaco nomes como João Belo, José Sarmento, Nuno Graceliano Lino, Pe. Joaquim Teixeira, Pe. Joaquim Roque Dantas, Cónego Damasceno Sousa, Luís Figueira de Faria, Germano Gomes, entre muitos outros. Estes Organistas permitiram que o povo ouvisse, contemplasse e admirasse o belo som do Órgão, e essa tradição e gosto vem sendo passado de geração em geração o que permite, hoje na Madeira, não só se ter restaurado importantes instrumentos históricos como mantê-los em uso para deleite de todos nós. A partir de 31 de Outubro, outro projecto da SREC vem permitir a todos os que gostam de ouvir o Órgão, neste particular o fantástico instrumento construído de raiz para a Igreja do Colégio, assistir a pequenos concertos, às segundas-feiras, das 12h30 às 13 horas. O Organista Nelson Quintal com um convidado, de entre alunos e professores GCEA, estarão a proporcionar a residentes e turistas momentos musicais no período de almoço. Esta prática já existe em algumas das Capitais da Europa e ajuda as pessoas a quebrarem o ritmo do trabalho. Fazemos votos para que todos os que puderem aproveitem estas oportunidades únicas.

Carlos Gonçalves, Docente do Ensino Superior