O complexo de inferioridade foi algo que Lisboa sempre procurou induzir no resto do País, como forma de garantir a sobrevivência da sua autoridade e impedir que fossem reconhecidas as suas fraquezas e incompetências. Os ‘senhores da capital’ intimidavam as gentes da ‘província’ que se acanhavam e tiravam o chapéu. A receita pegou durante séculos e só a democracia conseguiu atenuar os seus efeitos. Mas pouco, pelos vistos.

O provincianismo sobrevive e, infelizmente, atinge os níveis mais elevados das populações das províncias. E até das Ilhas Adjacentes, como de forma subalterna era tratada Região.

Só pode ser esse sentimento que terá levado o futuro presidente do XI Governo Regional a quebrar o voto solene de silêncio a que se tinha remetido. Na capital do império, perante os ‘senhores jornalistas do Continente’ falou, respondeu a tudo, solícito e obediente. Não há registo de que tenha tirado o chapéu, mas só porque não o usa.

Os flashes das máquinas e as câmaras das televisões, com sotaque lisboeta, devem ter produzido o mesmo efeito que Eça de Queiroz tão bem descrevia, de uma casaca rica e uma bengala perante um saloio.

Pouco mais de uma hora e uma viagem aérea depois, tudo voltou ao mesmo. Perante os ilhéus atrasados e provincianos, a garantia de que não fala de ‘política regional’. Curiosamente a mesma que despejou, durante largos minutos, em Lisboa.