Escrevo condicionado pelo tempo, pois vou ausentar-me alguns dias em mais uma viagem de promoção, isto para além da habitual pressão dos caracteres, que tanta dificuldade tenho em aguentar. Não sei o que me esperará nesta feira, onde conto ter oportunidade de contactar com importantes parceiros e outros agentes de enorme relevância para o negócio turístico. Porque hoje reina a "Lei do Umbigo"… E toda a gente acha que o seu é que é o maior e, pior, todos entendem que, quanto maior, mais importa. O que vale são os negócios do tudo incluído, sem cuidar do que estamos a fazer ao resto da nossa economia; as parcerias com os grandes operadores que, apesar de nos esmagarem o preço, ao menos viabilizam a manutenção da porta aberta; as comissões, a ver quem as dá maiores; a capacidade de fazer menos 0,5€ do que o vizinho. Desde que seja grande e interesse ao próprio... Mas alguém já viu em que situação está a capacidade aérea para este Inverno e quantas camas conseguimos encher? Já perceberam a que preço somos obrigados a vender para poder ir buscar para nós um bocadinho desses lugares? Já verificaram qual o custo comercial da venda do tal quarto que, se ficar vazio hoje, para sempre está perdido? E a consequência das estratégias de vistas curtas que estamos a adoptar para o futuro? Tudo isto, está visto, é pouco relevante. Porque para o umbigo, o que interessa é dizer que no fim-do-ano estamos a não sei quantos por cento, que conseguimos fazer não sei que taxa de ocupação anual ou que crescemos outro tanto. Tudo o resto - margens, receitas, custos ou sustentabilidade - é perfeitamente irrelevante, assim como a viabilidade daqueles com quem trabalhamos. Pelo caminho, se ainda conseguirmos derrubar alguns, tanto melhor, porque maiores ficamos. E amanhã logo se verá, pois agora estou ocupado a olhar embevecido para o meu umbigo...

André Barreto, Empresário