Artur Luís J. Brandão Está bonito, está! Como a ilustre Sr.ª secretária regional do Turismo, Conceição Estudante, assim como a sua muito competente directora regional, parece desconhecer algumas situações anormais que por aí se passam aos olhos de todos, eu, cidadão comum, proprietário de uma pequena loja no centro do Funchal, terei todo o gosto em dar uma pequena ajuda e levar até ao vosso conhecimento algumas dessas situações: ao ler e ouvir notícias com origem na secretaria, num permanente auto-elogio, falam-nos que a Madeira está fantástica e recomenda-se. Ele são recordes a cair todos os anos, dias, horas, minutos e segundos. São turistas que nos chegam aos milhares via aeroporto/porto do Funchal, é a ocupação hoteleira sempre a subir, são multidões a passear pela nova avenida, e, para completar tudo isto, ainda nos dizem que esta atividade gera milhões e milhões de euros. Isto é na verdade muito bonito, mas não é para todos, e não passa de conversa fiada que serve para enganar os menos atentos, porque lamentavelmente para o comércio do centro do Funchal, com a excepção dos 'lobbies', está tudo muito feio, muito feio mesmo. Tem dias que os navios de cruzeiro nos colocam cá cinco/seis mil turistas adicionais, mas garanto-lhes com conhecimento de causa que tem lojas e restaurantes no coração da cidade que nem um único cêntimo lucra com todo este turismo! Então para onde vão os tais milhões? Para não variar, vão para os mesmos de sempre. Isto só acontece porque o circo há muito tempo que está montado! Ainda o navio vem ao largo e já se perfilam estrategicamente dezenas de autocarros e carrinhas, muitas delas sem licenças para o efeito. Logo que o navio atraca começa o espéctaculo. É levá-los muito rapidamente para os sítios do costume, tudo muito bem cordenado. Uns para o teleférico/jardins do monte/carro de cestos, outros a toda a velocidade para o norte da ilha porque é obrigatório passar no véu da noiva, fazer umas compras de 'souvenirs' por lá, porque é tudo muito "barato", almoçar no Porto Moniz, e toca a despachar que ainda se tem que passar na Eira do Serrado, e depois direitinhos para o barco, não vá alguém se perder. Entretanto, o pouco turismo que não se deixa levar nesta loucura e que planeia passear calmamente e livremente pelo centro do Funchal, também não o consegue fazer, porque logo à saída do porto, numa situação degradante e terceiro mundista, é importunado e positivamente atacado por um batalhão de vendedores tipo banha da cobra, que oferecem mil e uma ilusões e também uma viagem para visitar o centro do Funchal e arredores, bem instalados no topo de um autocarro descapotável. Mais uma vez as lojas e os restaurantes do centro ficam às moscas! Ex.ª Sr.ª secretária, acabe com esta vergonha, mande encerrar o circo, crie regras e imponha disciplina neste sector, e se não souber como fazê-lo não hesite, siga as pisadas do seu antecessor (João Carlos Abreu) e desenvolva mecanismos para que todos os sectores comerciais sem excepção, possam ganhar algum dinheiro com o turismo, ao contrário do que está a acontecer, que é a meia dúzia do costume a ficar com o dinheiro.