Pensei muito bem antes de escrever este artigo, porque estou a contrariar um princípio que sempre pratiquei de que, é "dentro de casa" que se resolvem as coisas. Mas a situação é demasiado grave para ficar calada. Já não bastava estar a ver os direitos conquistados com tanta luta, trabalho e esforço serem deitados para o caixote do lixo, por este governo de direita, sem coração e sem passado. Já não bastava ouvir, ler e ouvir, os disparates ditos por pessoas, ao serviço da grande finança internacional, que para além de não terem coração, querem é amealhar cada vez mais milhões para enriquecer à custa dos/as trabalhadores/as, particularmente da classe média que cada vez é empurrada para a pobreza. Já não bastava ouvir na rua, em todo o lado, as pessoas reclamarem mas quando é preciso ir para a luta, são sempre os mesmos a aparecer, e ainda por cima, são muitas vezes, achincalhados na praça pública como se fossem criminosos. Já não bastava tudo isto, e muito mais, mas agora também tenho de ouvir os maiores disparates de dentro da área política onde sempre fui militante. Há coisas que se suportam mais do que outras. Confesso que os desastrosos resultados eleitorais do BE deixaram-me de rastos, sem vontade de ver ninguém, com a sensação que o trabalho de uma vida tinha sido deitado no caixote do lixo. Pode ser errado, até reconheço que sim, mas quem me conhece sabe, que de "bajulices" não tenho nada, e que o meu maior defeito é dizer o que penso, mesmo que isso não agrade. Nunca imaginei, que isto de ter opinião, custasse tão caro. Mas uma coisa é dizer o que se pensa, nos locais próprios, como eu fiz durante toda a minha vida de militante, outra coisa é fazer como alguns "amigos" e dirigentes do Bloco têm feito, tentando encontrar bodes expiatórios para explicar um resultado péssimo, devido a uma política e uma estratégia erradas, a vários níveis, incluindo a forma de fazer campanha e a forma de intervenção. Podem dizer-me que não fui à Assembleia de Aderentes dizer isso. Mas antes dessa realização algumas dessas pessoas, que tiveram responsabilidade na política e estratégia seguidas, fizeram uma campanha suja, com o apoio e o silêncio de dirigentes, chegando alguns a subscrever antigas injúrias, feitas pelo Dr. AJJ em relação à minha pessoa, só porque apoiei o que disse um Aderente publicamente, que o Bloco deveria voltar às "suas raízes populares", como se isso fosse uma ofensa, de lesa pátria, como se a abrangência do BE não passasse pelo Povo. Os resultados obtidos não podem ser só explicados com "factores externos". Ou vão à raiz do problema, que em primeiro lugar está na política e na forma como a mesma é transmitida, ou então a travessia do deserto será muito mais longa. E isto também é válido para o Bloco a nível nacional que teve muitas responsabilidades em todo este processo. É verdade que a situação política na Região não é fácil. Mas há quatro anos era ainda pior, se considerarmos que o PSD teve a maior votação de sempre nas regionais, dois novos partidos apresentaram-se ao sufrágio e ainda por cima tivemos uma campanha pública contra os principais dirigentes do Bloco que deram corpo à candidatura. Mesmo assim aguentou-se a representação Parlamentar. Nessa altura, alguns ainda acharam, que a culpa dos resultados não serem melhores, foi de serem os "velhos" candidatos e da posição sobre a lei das finanças regionais. Os "velhos" saíram da direcção, ficaram os novos que traçaram a política a seguir e agora lavam as mãos? Ou existem dois pesos e duas medidas para analisar resultados? Espero que o debate continue e que se inicie na Madeira a discussão da situação do Bloco, como é feita a nível nacional. Não sigo nem peço a cabeça de ninguém como alguns fizeram, vou continuar a opinar, gostem ou não, pois ainda existe liberdade de expressão para isso.
Guida Vieira