Nos dias 11 e 12 de Novembro o Centro de Congressos da Madeira recebe um evento histórico: a comemoração dos 30 anos de actividade do grupo Xarabanda. Um grupo amplamente conhecido pelos seus trabalhos de recolha, inventariação, estudo e divulgação da música tradicional madeirense. Formada a partir do grupo "Algozes" fundado em 1981, a Associação Musical e Cultural Xarabanda tem tido também a preocupação de introduzir elementos de inovação e modernidade no repertório do grupo, adaptando a tradição a novas sonoridades, fruto de novas harmonias, novos instrumentos e formas de interpretação. O trabalho dos Xarabanda mostra-nos um grupo preocupado com a pluralidade de pontos de vista e com a riqueza que daí advém. Os dezoito números da Revista Xarabanda, longe de uma escrita e pensamento únicos, são estímulo à diversidade de leituras sobre património e criação cultural. Os quatro álbuns editados são verdadeiros territórios de criatividade e inovação e um importante instrumento de promoção e valorização da Madeira ao nível da música tradicional. O desenvolvimento cultural de uma região mede-se também pela sua capacidade de afirmação ao nível da criação artística e, não menos importante, daquele que poderá ser o sector de actividade mais exigente em termos de formação de públicos, o Serviço Educativo. Escrevo hoje sobre os Xarabanda porque celebrar trinta anos de actividade na área da cultura não é coisa pouca e o lúcido sonho que me acompanha sobre a valorização e o acesso à cultura ganha força nestes momentos. São novos os territórios que questionam visões tradicionais da cultura e recentes dinâmicas de difusão cultural mostram-nos a importância de gerir a cultura para gerar também experiências de cidadania, com valores reconhecidos e partilhados. Parabéns Rui Camacho, João Viveiros, Roberto Moniz, Roberto Moritz, Maria João Caíres, Filipa Camacho, Slobodan Sarcevic, Carlos Figueira, Duarte Salgado e todos os que passaram pelos XARABANDA.

Natércia Xavier, Formadora