Com o presente ano a aproximar-se do final, começam os prognósticos para 2012. Palavra de ordem: recessão! Analistas de diversos quadrantes parecem ter uma certeza, vamos ter a pior recessão desde 1975. Nesse ano de turbulência, além dos efeitos da revolução de Abril de 74 também tivemos de lidar com o primeiro choque petrolífero, o Produto Interno Bruto caiu 5%. Mais recentemente, em 2009, voltamos a ter de lidar com uma elevada recessão embora em contexto diferente. Arrastado pela crise internacional o PIB caiu 2,7% e o desemprego atingiu a marca de 9,5%. Face ao cenário actual, julgo que vamos chegar ao final de 2012 a pensar que 2009 até não foi assim tão mau. Senão vejamos, em Outubro do presente ano o Banco de Portugal apresentava uma previsão de queda do PIB de 2,3% para 2012, é de realçar que este valor não contemplava as medidas do Orçamento de Estado que, como é sabido, foram "violentas". Considerando estas medidas, a previsão de recessão para 2012, segundo a generalidade dos analistas, dispara para valores entre os 3% e 4%. As variáveis que influenciam a conjuntura económica não jogam a nosso favor: o rendimento das famílias a diminuir, as dificuldades que as empresas atravessam e a taxa de desemprego prevista para valores próximos de 14% não fazem prever um ano positivo. Parece restar uma saída: as exportações. Contudo, é necessário considerar que vários países tais como Espanha, Itália e França também se encontram em processo de ajustamento orçamental. Pelo que, nesta fase, não se perfilam como os melhores destinos para as nossas exportações. Temos de procurar saídas alternativas. Assim, será crucial sermos capazes de criar um menu de produtos e serviços capazes de atrair a atenção externa. Por cá, apesar do desejo dos portugueses ser vê-la longe da nossa ementa, a recessão será o prato do dia para o ano que se aproxima.

Pedro Nunes, Economista