O Governo Regional que esta quarta-feira toma posse tem uma oportunidade única para mudar procedimentos no que à sua estratégia de comunicação diz respeito e melhorar processos de partilha de informação relevante que, até agora, ficam marcados por gritantes falhas de coordenação, pela ocultação de dados e pela falta de visão estratégica. Mesmo correndo o habitual risco de ser mal interpretado por quem manda, o que para além de não ser inédito, não é decisivo num ambiente de parceria responsável e de exigência democrática, atrevo-me a sugerir a rentabilização do enorme potencial que a máquina governativa tem, para que possa difundir com eficácia conteúdos, fazê-los chegar aos meios de comunicação social tradicionais e às novas redes de partilha, e estar próximo do maior número de madeirenses, onde quer que se encontrem. Urge criar uma unidade, gabinete, departamento ou o que lhe quiserem chamar, capaz de congregar os recursos dispersos, as agendas avulsas, os sites de cada serviço, as assessorias de cada secretaria, os assuntos que forem surgindo e mediatizá-los, numa lógica multimédia, sem complexos e com profissionalismo. Se o fizesse, o governo não só pouparia o que agora muitas vezes gasta sem retorno, como ganharia em áreas decisivas para a credibilidade. A coerência, a capacidade reactiva e a influência cultivam-se, mesmo em contextos adversos. Todos sabemos quão difícil é gerir silêncios estratégicos, reacções assertivas e comunicados com nexo num executivo com determinadas características e hábitos com décadas. Mas não é impossível virar agulhas para o essencial, numa era de aperto, mas também de oportunidades. O governo tem a sorte de ter recursos suficientes na área da comunicação que, em conjunto formariam uma espécie de redacção da qual poderia extrair muito proveito. Pelas minhas contas, entre adjuntos, secretários, assessores e outros responsáveis por gabinetes são mais de 10 aqueles que têm, à vez, responsabilidades no processo comunicativo do executivo regional. Muitos deles, com boa escola!, têm valor, quanto baste para servir a coisa pública e os interesses dos madeirenses. Queira o Governo comunicar, processo que não se confunde com propaganda ou campanhas pessoais, notícias não assinadas e ‘bocas’ indecorosas , nem se compadece de vigilâncias políticas nos meios e outras pressões inadmissíveis, nem de sites institucionais sem notícias e sem áreas afectas à imprensa, com agendas desactualizadas e com prevalência por desmentidos. Queira o Governo comunicar, processo que nada tem a ver com a contra-informação, com o obstinado branqueamento da verdade ou com a militância fundamentalista. Queira o Governo comunicar, todo ele, e não só as partes que mais dão nas vistas.