Depois das eleições e da tomada de posse do novo governo, proximamente, abre-se um novo ciclo na Madeira. As circunstancias assim obrigam. Como é evidente perante os desafios que se aproximam poderemos ser levados a ter várias reacções: de medo; de critica fácil; de alheamento; de confronto, etc. Como é evidente os desafios vão ser enormes. No entanto a nossa reacção - como cidadãos - deve ser de grande atenção e mesmo de colaboração (com sugestões e criticas). Os desafios dos próximos anos não são desafios apenas para o próximo governo. São desafios para todos os cidadãos, para todos os trabalhadores, para todos os desempregados, para todos os empresários, etc. O governo, melhor que seja, sozinho não fará tudo o que tem de ser feito. Necessitará do apoio de (quase) todos. É uma tarefa tanto para o governo como para os cidadãos, conseguir essa mobilização. É verdade que se aproximam desafios enormes. Alguns quiçá irão obrigar a contenções. A racionalizações. A alguma privação. Mesmo alguns sacrifícios. No entanto deveremos enfrentar os próximos tempos com serenidade, atenção, confiança e optimismo. Não vale a pena fugir. Nós madeirenses contamos com um passado que nos garante o futuro, se o quisermos. Fomos nós que transformámos - com a Autonomia - uma das regiões mais pobres de Portugal (que era por seu lado um dos países mais pobres da Europa) numa região que já vive acima da média europeia (e a segunda mais desenvolvida de Portugal). Se fomos capazes disto nos últimos 30 anos seremos, se quisermos, capazes de ultrapassar este episódio que se avizinha. Na verdade é um episódio na já longa história da Autonomia. No entanto também não devemos deixar de dizer a verdade: para mantermos o nosso actual nível de vida temos de mudar algumas coisas. Coisas que poderiam estar certas até agora, mas que no futuro não podem manter-se. Mas também coisas erradas que têm de ser corrigidas rapidamente. No entanto o que têm sido os madeirenses, nos últimos anos, senão reformistas a tempo inteiro? Quem fez uma Revolução como a nossa nos últimos 30 anos é reformista por natureza. Juntando esta característica Reformista aos Valores que fazemos questão de manter ( e que tanta falta estão a fazer noutros sítios do Mundo) e mesmo a Fé deste Povo penso que temos o essencial. Na verdade o nosso futuro passa acima de tudo por nós. Mas não só. Num futuro próximo passa por uma boa relação institucional e de confiança(!) com o governo da República. É com ele que vamos negociar o nosso pacote. Devemos seguir a frase brilhante que me foi dita, recentemente, por um dirigente madeirense (bastante lúcido e capacitado): "vamos ajudar quem nos pode ajudar". Exactamente! Como em qualquer negociação devemos levar as nossas condições e propostas: em primeiro lugar exigir que sejamos tratados como portugueses da Madeira e não como gregos ou cidadãos de segunda. Em segundo lugar sermos nós próprios a levar, já elaborada, a lista daquilo que queremos e que vamos reformar (uma lista pormenorizada, corajosa e profundamente reformista). Temos de surpreender! Em terceiro lugar não aceitar receitas que nos levem a empobrecer em vez de enriquecermos. Devemos ser exigentes: o problema financeiro da Madeira só será resolvido com a criação de riqueza. Logo a prioridade deve ser a economia. Deve ser apoiar o Turismo, o Centro de Negócios, etc. Apoiar tudo o que nos vai criar empregos e riqueza. O governo Central deve apoiar-nos nesta tarefa. Pelo nosso lado devemos ser exigentes no investimento. Aprovar apenas investimento produtivo (com retorno). Devemos, ao mesmo tempo que tudo faremos para crescer economicamente, fazer uma exigente consolidação orçamental. Diminuir a dívida; continuar a diminuir a despesa corrente; redimensionar a administração pública regional, local e empresas públicas; diminuir o número de órgãos e titulares dos órgãos políticos (deputados, câmaras municipais, juntas de freguesia, etc); ter uma política de comunicação eficaz: dizer sempre a verdade aos madeirenses, mesmo quando as verdades possam não ser agradáveis. Mobilizar os madeirenses. Criar um bom ambiente político e institucional, apesar de nunca ceder no essencial. Dispensar-se de piadas ou ameaças gratuitas que não fazem sentido e que se tornam profundamente contraproducentes (como falar em independência). Ouvir - mesmo que não se aceite ou concorde - todas as sugestões ou criticas vindas de vários quadrantes legitimados. Apostar no aprofundamento da Autonomia fazendo com que no futuro a Madeira seja um Estado Federado. Tudo fazer para não aumentar o desemprego. Reforçar as políticas sociais de apoio aos mais necessitados e frágeis. Identificar todas as dívidas directas e indirectas, renegociando-as e pagando nas melhores condições. Tornar a nossa classe dirigente exemplar nas suas atitudes e coincidentes com as exigências que serão feitas aos governados. Fica aqui esta lista, nada exaustiva e muito menos pormenorizada. Trata-se de uma pequena contribuição. Um acto de cidadania que nos legitima quanto ao Futuro. Um futuro de confiança!

Paulo Neves