Sinceramente, isto de andar a cortar dois "ordenados" a cada pessoa milionária (leia-se milionária, uma pessoa que recebe iliquidamente 1000€, ou mais) como uma medida estratégica para acabar a crise, é proporcional a ter um treinador numa equipa de futebol a dizer, aos seus jogadores, que para ganharem um jogo, é preciso atacar. É porque nem uma nem outra funciona. A lógica de termos pessoas no poder com grau superior de conhecimento, porque é isso que é suposto essas pessoas terem, é para que se resolvam os problemas do país com esse mesmo conhecimento. Porque estas medidas são parecidas àquelas que a minha mãe me aplicava quando eu tinha 10 anos e portava-me mal. Neste momento sou um pouco mais crescido, e se a minha mãe aplica-me um corte, deixo de estudar. E é exactamente onde quero chegar. O facto de, há já vários anos, Portugal ter problemas como o desemprego, inflação constante de custo de vida, congelamento de salários, e muitos outros aspectos político-económicos, faz com que a vida neste país esteja cada vez mais difícil. E se agora aplicarmos cortes nos subsídios que nos fazem manter as contas em dia (no meu caso, as propinas pagas), este Portugal tornar-se-á num autêntico caos. É porque estas medidas também foram aplicadas, não só a mim quando eu tinha 10 anos, mas também à Grécia há cerca de um ano. E é bem visível o resultado desta grande estratégia. Então, reflectindo um pouco, se não resultou na Grécia, o que é que nos faz acreditar que vai funcionar aqui? Se bem que, parece que agora, vão perdoar a dívida dos gregos… Esperem! Será esta a estratégia de Portugal?
João Baptista, Colaborador da Associação Académica da UMa