O Desporto e a Educação Física estão neste momento a sofrer falta de seriedade na sua abordagem. Levanto aqui um conjunto de questões às quais aponto uma proposta de operacionalização.
Porque razão muito do espaço dos média dedicado ao desporto é ocupado com uma só modalidade? Porquê que quando se quer analisar um jogo dessa mesma modalidade colocam-se profissionais de outras áreas em mesa redonda a discutir o foro organizativo e financeiro em vez de verdadeiras variáveis presentes no desporto. Mais gritante é quando é feita referência “aos atletas deste clube”, “aos nossos atletas”. É verdade que “atleta” é conotativo com “desportista”, mas se querem alguma seriedade digam “futebolistas”, “mesa-tenistas”, usando “atletas” apenas para os praticantes de atletismo. Quando não souberem, digam simplesmente “praticante de…” ou apenas “desportista”. Gostaria, enquanto encarregado de educação que o seu educando não estivesse preparado para o Exame Nacional de matemática porque houve um professor que não abordou as equações de segundo grau nem as derivadas? Porque razões permitem os E.E. a existência de alguns professores de E.F. que não abordam um conjunto de matérias que potenciariam uma educação motora e social elevada? Está na hora de parar de dar uma bola e dizer “joguem”. Olhe-se então para o Desporto como um meio capaz de trans(formar) sujeitos, quando se abordar os saberes desportivos tenha-se alguma intencionalidade, não deixem ao acaso. Cada exercício tem um princípio activo diferente, que um efeito diferente nos diferentes sujeitos. Processos pedagógicos e estratégias de acção e intervenção recentes poderão tornar a análise desportiva mais séria e as aulas de E.F. algo que realmente sirva para alguma coisa… no fim de contas os alunos não vão morrer se não existirem profissionais competentes, vão viver, e é com isso que me preocupo, são eles os futuros “comentadores desportivos” que vão “discutir” sobre a vida dos “atletas de futebol”.
António Pereira