A Madeira teima em fomentar o individualismo inconsequente, os egoísmos estéreis e a lógica autista do ‘quero, posso e mando’. Visão conjunta, parcerias e diálogo parecem ser missões impossíveis numa terra de défices resultantes de obsessões e ódios pessoais que, para além de não dignificarem a grandeza de um estatuto que se apregoa solenemente, comprometem as soluções urgentes. Os tempos mudaram mas os conceitos e posturas resumidas ao ‘eu’ não acompanharam a necessidade de termos, no mínimo, uma Região civilizada, respeitada e desejada. A má imagem externa, o rótulo de despesista e pior, de desonesta, transformam-se num fardo pesado de carregar, agravado se enfrentarmos o futuro orgulhosamente sós. Todos sabem quem nos trouxe ao pântano que agora exige negociação e sacrifício.Temos a vantagem de conhecer o que valem os responsáveis pelo estado a que isto chegou, suas capacidades e limitações. Nada que, havendo vontade e bom senso, não se resolva e complemente. A hora é de esforço colectivo. Os decisores, os empreendedores, os cidadãos verdadeiramente cúmplices de uma nova era do desenvolvimento não podem continuar a fingir que estão à margem dos desafios exigidos em nome de um resgate financeiro da Região, mas com custos severos para a estabilidade pessoal, familiar e social dos madeirenses. O futuro exige debate sério e demorado, cedências e compromissos e não um preocupante encolher de ombros, a permissividade que facilitou fugas e buracos que agora somos chamados a tapar. Inspirem-se na nova campanha de comunicação da Optimus, que junta oito cantores portugueses em ‘duetos improváveis’que interpretam ‘All together now’, um original dos Beatles que tem o condão de juntar as diferenças, a fadista Carminho aos Moonspell, os Mind da Gap ao Avô Cantigas, Quim Barreiros a Rui Reininho e Mónica Ferraz a Manuel João Vieira. Há muito por fazer se quisermos transpor sem hipocrisias a iniciativa publicitária para a vida de todos os dias nesta ilha, se é que se quer unir as partes e lutar pelo todo, cada vez menos autónomo porque irregular e menos próspero porque mal gerido. O que devia ligar o poder político a quem tem opiniões distintas, à oposição ou aos empresários que geram emprego na Madeira, não são os processos judicias, as ofensas públicas e as guerras de protagonismo. Deveria a ser a opção por valores, dos quais brotam o empenho em construir um futuro melhor para todos e não só para a clientela habitual. Sem hesitações e sem medo da utopia é tempo de lançarmos por cá ‘duetos improváveis’ com efeitos práticos e úteis na nossa história colectiva. ‘All together’... now or never!