Há uma crise. Andamos muito aflitos (e com razão) a contabilizar os custos a assumir para podermos "ver uma luz ao fundo do túnel". Contudo, poucos parecem preocupar-se com soluções de fundo, que podem até não exigir investimentos de ordem financeira, mas que são estruturantes. Para resolver o hoje … e o amanhã. Deveria ser evidente que é necessário "uma grande volta", uma rotura (de facto e não apenas discurso). No processo pedagógico, seja no sistema educativo ou no sistema desportivo (educa-se na escola e no clube) há que mudar. Como? Por exemplo deixando de procurar formatar (componentes críticas), dando "certezas estáticas" tipo "gesto técnico", para explicar e ajudar a aprender as "tendências evolutivas contraditórias", que permitem tomar decisões com coerência e adaptadas ao problema. Veja-se como num "simples" remate no futebol tantas "estrelas" falham porque, para além de fazerem um gesto, não são capazes de decidir para onde e por onde meter a bola - ora isto treina-se! Os professores e treinadores têm que saber como decidir, deixando de ser os "despejadores" de certezas (falsas) … que lhes dão seguranças. "A Crise" mostra como estas certezas são enganadoras. Algumas "vitórias" no presente (notas académicas, resultados desportivos, etc.) utilizadas para legitimar o trabalho que fazem, muitas vezes mais não são que a expressão da reprodução daquilo que os professores e treinadores "obrigam" os alunos/desportistas a "engolir e fazer". Ora os professores e treinadores também alegam que são "obrigados" a cumprir programas desfasados da realidade. "Obrigados" para não serem despedidos ou ostracizados? Não se pode continuar a formar para o passado. É necessário um novo conceito de escola, de aula e de treino. Em próximas crónicas daremos exemplos de como é possível fazer esta rotura, assumindo-se o professor/treinador como um catalisador de processos de amadurecimento e não como fonte emissora de um conhecimento e avaliador da reprodução do que foi dito.

Hélder Lopes, Professor universitário