Inundados desde há não sei quantos meses por notícias sobre crise, decidi, em tempos, que evitaria trazer o tema a esta coluna mensal, com a consciência de que o excesso de notas negativas vai-nos asfixiando e, arrisco mesmo no termo, deprimindo. Mudei de ideias este fim-de-semana, quando numa ida ao centro comercial, apercebi-me que o meu comportamento e as minhas decisões de compra de bens de consumo estão a mudar. Em boa verdade, devo confessar que, quase inconscientemente, essa mudança já tem algum tempo. Não me estou apenas a referir às decisões de poupança, mas sobretudo à forma como opto por um ou outro produto. No supermercado, corro com os olhos as prateleiras em busca de iogurtes, leite, bolachas, massa de marcas portuguesas, à procura de legumes e fruta colhidos em Portugal. Na roupa e no calçado, agora que o Outono finalmente nos bateu à porta, mesmo com os travões da nuvem "crise", apercebi-me que entrei mais em insígnias/lojas que reconheço como sendo portuguesas… Se calhar porque acredito que não só a montra final (a venda ao consumidor) fica mais assegurada, mas que se mantenha maior competitividade em todo o processo de produção a montante, o qual admito que seja feito maioritariamente em Portugal. Se este comportamento de compra, de certa forma não premeditado, se multiplicar um pouco pela sociedade portuguesa, pode ser que estejamos a contribuir, mesmo que modestamente, para diminuir a recessão anunciada. Gostemos de Portugal e do que fazemos em Portugal!! Provavelmente não terá muito a ver, mas folgo em saber que o INE anunciou recentemente que o saldo da balança comercial portuguesa teve um desempenho mais positivo no terceiro trimestre do ano. Há um livro que me marcou recentemente, e que aborda de forma aproximada este tema: "A Sabedoria das Multidões", de James Surowiecki. Num mundo tão aberto e global, este "bairrismo" até pode ser incómodo, mas em dose adequada… siga!

Fabíola Pereira, Gestora de Marketing