Mencionamos escritores de renome e estudamo-los com certo afinco: Eça de Queirós, Fernando Pessoa, Luís de Camões, José Saramago, Almeida Garrett, Camilo Castelo Branco, Alexandre Herculano, entre outros. Qual a razão para insistirmos no esquecimento de escritores que foram importantes para a construção da vasta cultura portuguesa? E, no entanto, não são, definitivamente, de menor qualidade. Exemplificando: Cesário Verde (1855 - 1886). São poucos os indivíduos que ouvem falar acerca deste brilhante autor. Sim… realmente Cesário Verde não publicou nenhum livro, mas fê-lo o seu amigo Silva Pinto após a sua morte: 'O Livro de Cesário Verde'. Uma obra, indubitavelmente, estrondosa e revolucionária para o seu tempo. Cesário foi um escritor polémico, marcado por um carácter multifacetado no que diz respeito à presença em vários movimentos literários. Vida breve de apenas 31 primaveras. Sofreu influências de várias figuras importantes, nomeadamente Zola, Baudelaire, Balzac, Taine, Spencer, Gomes Leal, Guilherme Azevedo e João Penha. Embora não participasse em muitas tertúlias literárias, Cesário jamais fora um literato indiferente e inculto. Segundo Óscar Lopes este sossego e distância do mundo literário "era o silêncio que quem, nada conhecendo, tudo sabe, tudo adivinha por instinto". O seu último suspiro seria para afirmar que "Não quero nada, deixa-me dormir". Dormir no sentido de descansar eternamente, não no contexto de "dormir" esquecido na literatura. Passemos a outro escritor também pouco mencionado nos dias de hoje: Fialho de Almeida (1857 - 1911). Este autor sempre manteve a vida literária constantemente activa. Quem é que se pode esquecer dos célebres livros e contos: 'A Ruiva', 'Contos', 'Os Gatos' e 'O País das Uvas'. Na sua escrita pode observar-se as várias tendências literárias da sua época. Em Fialho de Almeida é impossível esquecer as descrições grotescas com veios naturalistas-realistas. Tanto Cesário como Fialho criticavam a sociedade em geral, o meio rural e o citadino, o pedantismo e as aparências justificadas por uma sociedade marcada pelos vícios degradantes. Cabe a nós, aventureiros no mundo da leitura, explorar 'uns' quantos que ficaram para trás sem razões para tal. Não deixemos cair no esquecimento escritores que contribuíram, de igual forma, para o enriquecimento da 'nossa' Literatura.
Filipa Silva, Colaboradora da AAUMa