Não há nada de proveitoso que já não tenha sido dito, ou pensado, é isto que se diz. Reflectir sobre isto devia remeter-me para um recolhimento solitário. Depois, a minha verdade, a minha convicção, são conceitos relativos e não são assimiláveis por todos. Reflectir sobre isto devia remeter-me para o silêncio. Então tenho aqui boas razões para estar calado. Tenho muita simpatia pelo silêncio, é algo muito escasso nos nossos dias, na cidade e na nossa mente, onde não consegue assentar-se. Há um tempo para tudo e se nesta altura a minha escrita e a sua leitura nos priva do silêncio, convém que esta privação sirva um fim profícuo. O facto de a mente se agitar, gerar pensamentos e nos impelir para a acção não necessita de ser um desassossego, tudo depende da motivação, e o processo pode mesmo ser uma fonte de grande satisfação. Assim se lançarmos uma ideia, que ela seja para o benefício dos outros. Uma certa lei da causalidade, diz que esta atitude desprovida de egocentrismo é a mais sábia e eficaz forma de tratarmos do nosso próprio bem-estar. Se guardarmos silêncio, que seja por respeito, para proporcionar a nós e aos outros um espaço de reflexão e meditação. Se insistirmos numa ideia, que sejamos movidos pela mesma motivação, a mesma paciência, que uma mãe tem pelo seu filho doente. Levarmos uma vida sã e com significado depende da medida em que conseguirmos arranjar espaço para gerarmos ideias altruístas e silêncio. Nos tempos que correm conseguir fazer isto é um grande desafio, é uma arte dominada por poucos. E apesar da embalagem pouco atractiva desta proposta, face ao irresistível apelo das múltiplas solicitações da sociedade moderna ou das nossas tendências habituais, há quem encontre uma verdadeira liberdade nesta nova maneira de estar. Se está na dúvida do que está a ser proposto, faça silêncio.

Rui Almeida, Deputado do PAN