Situação a nível doaproveitamento dos alunos. Atualmentea maior parte dos alunos que frequenta o 9º ano e escolaridade tem como escolaridade obrigatória o 12º ano e por issoé obrigada a permanecer na escola até aos 18 anos. Cada vez é mais comum chegarem-nos alunos que pura e simplesmente não querem estar na escola, dela não aproveitam,perturbamas aulas e prejudicam os outros alunos que querem aprender,originando sucessivos casos de indisciplina duma formacontinuada, desesperando os professores até quase ao intolerável. Dentro da escolaridade obrigatória, os alunos são quase impunes, dificilmente perdem por falta de assiduidade, ou por "mau comportamento". O respeito, o rigor, a exigência, o trabalho e a responsabilidade são, para estes jovens, palavras vãs. Quando um aluno é considerado como estando "em risco" porque excede ou está próximo de atingir o limite de faltas,ou ainda porque apresenta resultados "muito fracos" a nível da aprendizagem,é elaborado um plano de recuperaçãoindividuale multidisciplinar. Esse plano envolve todos os intervenientes no processo: professores, alunos e encarregados de educação, implica compromissos escritos assinados por todos e estipula, entre outras, medidas concretas e aulas suplementares de apoio às várias disciplinas, numa tentativa de que o aluno se interesse e recupere da situação em que se encontra.O que acontece na grande maioria das vezes é que o aluno não cumpre o plano. Nesse caso,o aluno fica retido (chumba), e é elaborado no final do ano letivo um plano especial de acompanhamento a aplicar no início do ano letivo seguinte. Quando, mesmo assim, o aluno,no ano seguinte,não cumpre com o plano de acompanhamento, parte-se do princípio que o plano foi mal elaborado e terá de ser reestruturado tantas vezes quantas as necessárias. O problema desta estratégia é que, apesar de todo o esforço envolvido, os resultados muito raramente são dignos de nota, e a questão mantém-se por resolver. Estas medidas não funcionam, nem poderão funcionar porque partem de dois equívocos "piedosos". O primeiro é o de tratar todas as pessoas por igual, o que, à primeira vista nos parece de elementar justiça.Esse tratamento igualitário revela-se,no entanto, ineficaz e da mais completa injustiça, pois pessoas com capacidades e "handicaps" diferentes devem ser tratadas de forma diferenciada e adequada a essas capacidades e "handicaps". O segundo equívoco tem origem no "Eduquês" (emaranhado de teorias românticas e pseudo humanistas inspiradas no "bom selvagem" de J.J.Rosseau) em que o aluno descobrirá por si a vontade de aprender. Todos sabemos que há alunos que pura e simplesmente não querem aprender, por mais estratégias e planos que os professores arranjem. No final de ano, caso o aluno não consiga cumprir o plano traçado,o conselho de turma pondera a situação e emite um parecer não vinculativo ao Conselho Pedagógico da escola que,por sua vez, decide se este aluno transita ou fica retido no mesmo ano. Poderá, por exemplo, acontecer que osprofessores da turma sejam de opinião que o aluno deve ficar retido e o conselho pedagógico, que é soberano, entender que este transita. A tendência mais comum, por falta de alternativas e de "pressão" para passar os alunos é a de "empurrar" o aluno para a frente, independentemente do seu aproveitamento ou excesso de faltas. Todos os professores conhecem situações em que alunos com 5 e mais negativas acabam por transitar de ano. (Continua. A III parte surge na edição de 12 de Dezembro)

Hélder Melim