Os resultados eleitorais de 9 de Outubro na Madeira, fizeram jus ao popular adágio justiceiro, de que quem comeu a carne, deve também roer os ossos. E não faltaram, esqueletos inteiros de despojos de fartura, que agora terminaram em penúria e num silêncio sepulcral. Os ganhadores do costume, salvaram-se pelo método de Hondt. As cadeiras vagas dos debates, foram o prenúncio do pesar estampado no rosto pouco ganhador, com os gritos de fel a quem informa, das granadas e extintores do pó alaranjado, que só serenavam as labaredas da frustração dos números. E como tudo é fiado, os óculos emprestados liam traições nas costas, tudo num quadro paradoxal de festejo. Sinais que necrófagos voavam em círculo, em busca de sobras escorridas e putrefactas, sob a capa do estimulante desafio, ou da derradeira oportunidade política. Por sua vez, a República cega pelos ditames da austeridade, segue o caminho de expiação, trucidando o Povo, mas poupando aquela percentagem dos poucos abastados e agiotas. Assim se escreve a história contemporânea dum país a empobrecer, no seio duma Europa que atira ao subdesenvolvimento os seus pares marginais, que tal como uma rês doente, é deixada morrer longe, sem que antes não se purifique, numa mortificação redentora, como se a vida humana, convertida em indignos dígitos, fosse apenas a bem-aventurança, conducente a uma ressurreição triunfal, mas impossível. O OE-2012 já ditou: Portugal vai entrar profundamente na espiral recessiva, e a Madeira, tal como a República desprovida de soberania, ficou sem autonomia. Afinal, a democracia só subsiste se houver dinheiro, e só assim se percebe a sua paupérrima qualidade, na inversa proporção das mordomias dos políticos. O Poder está no dinheiro, e nos salteadores da democracia. Não, nos eleitores. Mas, isso nunca se vê nos cartazes.

Donato Macedo, Licenciado em CCO