A avó, quando pega no seu telemóvel, reconhece as teclas, sabe usar os números, e faz os seus simples contactos, com relativa facilidade - não enviando mensagens porque é complicado - e quando fala, fá-lo sempre muito alto porque está a ficar meia surda. O seu filho, já reconhece, que na parte de trás do seu telemóvel está uma máquina fotográfica - o que dá sempre jeito - usa-o todo o dia e também á noite, porque muda os toques de alarme conforme as pessoas - justamente para não ser incomodado por desconhecidos em horas "cómodas" da noite e do fim de semana - faz todo tipo de funções, tipo sms´s, call me´s, manda fotos, enfim pensa que domina o "bicho" como quer, mas acha que tem muita coisa "lá dentro" que não sabe para que serve... mas, também não se importa com isso. O seu netinho, com o seu telemóvel de recente geração, faz tudo o que se pode imaginar, e tudo feito a uma velocidade estonteante, se falha alguma coisa "briga" com o equipamento, sabe as notícias na hora, os resultados de futebol e a evolução do score, fala com o telemóvel, dorme com o telemóvel e só não toma banho com ele porque não é impermeável. O termo "stress" foi usado em termos biológicos pela primeira vez, pela voz do médico endocrinologista Hans Selye referindo já em 1930 as interferências do meio ambiente no quotidiano das pessoas e dos animais. Até aí a palavra stress era exclusiva da linguagem técnica da física e da engenharia, muito particularmente quando se tratava de fazer provas de tensão e desgaste em materiais que estavam a ser usados ou sómente testados. Actualmente, a troika, também aproveitou para usar esta palavra quando fez e ainda faz os testes aos bancos, testes penso eu, de tensão e desgaste aos mercados e aos clientes: os chamados testes de stress! Que não testam o verdadeiro stress da crise, para muita pena nossa! E, desde a introdução deste palavrão no universo biológico até aos nossos dias, o seu valor e importância aumentou, e aumentou tanto, ao ponto de se banalizar a sua utilização. Tudo é stress e o stress justifica tudo! Até na própria medicina se banalizou: você pensa que está doente, mas o que você tem é stress! Aqueles que na idade escolar, tiveram tempo para jogar á "trapalhança" com bola de meia, jogar ao pião, á barreira, jogar á casquinha, ao madeira-ball, tiveram tempo também, para estar em casa com a família, em convívio, porque o tempo, nesse tempo, dava para tudo. Nessa altura nunca se ouviu falar de stress! Com o aparecimento do computador, da internet, do telemóvel, com as redes sociais de comunicação, as vinte e quatro horas do dia, esvaíram-se em tempo disponível para fazer algumas coisas importantes. Face-book, messenger, jogos, navegações errantes ou sem rumo ... só para falar destas, consomem todo o tempo do dia e da noite - dependendo da resistência do sujeito. E o nosso computador cerebral, que não consegue digerir tanta informação continuada, baqueia, bloqueia, provocando o tal excesso de desgaste e tensão no nosso corpo, que não é outra coisa senão o dito stress. No fundo, será um excesso de energia acumulada, que não sendo descarregada a tempo, é desintegrada aos poucos, mais tarde, em muitos dos nossos actos do dia a dia: na "bicha"do supermercado, nas caixas prioritárias, com os familiares, com os colegas de profissão, no trânsito automóvel, nos balcões mais frequentados da Loja do Cidadão, no caudal infinito de controlo de bagagens do aeroporto e por aí adiante. E assim, um pouco por toda a parte, lá vão libertando esse maldito stress, mas, stressando aqueles que estão ali ao perto, e que, até estavam descansadamente relaxados. E que ficam, como que contagiados pela tensão do ambiente circundante. Já tinham reparado neste facto! E os vários tipos de stress? Não é só o stress dos bancos ... são, como já disse, o tal stress dos aeroportos, o das listas de espera dos hospitais e centros de saúde, o stress do novo acordo ortográfico - modificaram algumas palavras portuguesas, porque realmente estavam a nos complicar a vida - o stress de tirar sangue para fazer análises, o stress dos parquímetros, o stress das "pink-news" e agora o stress dos novíssimos saltos altos de 22 centímetros, a passear nos paralelipípedos da nossa histórica calçada madeirense! Vamos lá fazer o possível para combater este imenso stress, que anda agora a querer provocar tudo e todos, aqui á nossa volta! Assim, e lembrando aquele exemplo descrito no início deste texto: quando pegarem num teletóvel, num computador ou noutro qualquer objecto electrónico, façam como a avó, olhem só para o que de simples e útil, ele tem para oferecer. Porque, o stress da avó é zero meus amigos, é ZERO!

José Manuel Ramos