"Das centenas de estudantes que a Madeira tem permanentemente nas Universidades, grande parte não regressa para exercer a sua actividade na ilha. Muitos são atraídos pela capital e outros centros do continente português, onde encontram melhor clima de trabalho e de especialização profissional ou um ambiente mais próximo das suas aspirações. Receiam estagnar profissionalmente na ilha, onde lhes falta equipamento científico - intelectual e sectores onde exerçam actividade suficientemente remunerada ou suficientemente interessante." Agostinho Cardoso, deputado da Nação, 'O Fenómeno Económico - Social da Emigração Madeirense', editado na separata da Revista de Direito Administrativo, Coimbra 1968. Infalível realidade! Passadas décadas já no novo regime, que permitiu a autonomia, a realidade continua semelhante no que diz respeito aos criativos e intelectuais, transversalmente afectando toda a sociedade insular que precisa de renovação de pensamento, como pão para a boca. É certo, que desde sempre, a Madeira exportou gente. Primeiro dentro do império português e mais tarde para todo o mundo. A falta de condições sócio-económicas, definiu muitas dessas partidas apressadas. Mas esperava-se e foi prometido... que a emigração, tinha acabado. Quanto aos que concluem licenciaturas, mestrados e doutoramentos lá fora, a hipótese de voltar não se coloca. Na música, a perspectiva não escapa a esta monumental derrama humana. Formam-se desde os 6 anos de idade, concluem o ensino artístico aos 18 e partem. Seja em Portugal ou no estrangeiro, os nossos alunos têm-se destacado entre os melhores, contribuindo para a cultura das cidades que os receberam. Previa-se que muitos deles, terminados os estudos superiores, fossem os quadros de uma grande orquestra sinfónica que teima em não aparecer.
Vítor Sardinha, Músico