Começam a sair algumas informações sobre os cortes previstos no Orçamento de Estado para 2012. As pastas sociais serão um dos maiores alvos. Segundo as últimas informações conhecidas os orçamentos da Saúde, Educação e Segurança Social serão reduzidos em 1,6 mil milhões de euros no próximo ano. Outra das notícias posta a circular dá conta que os hospitais públicos vão receber no próximo ano menos 300 milhões de euros. Todos sabemos que estamos numa época de redução de despesas e que a troika não irá tolerar falhas no cumprimento dos objectivos acordados, no entanto é necessário ter em consideração o valor da "factura social" que o país pode vir a pagar. Estamos perante uma equação difícil de resolver, por um lado, as famílias vêem os seus rendimentos reduzidos, por outro têm cada vez menos apoios por parte do Estado em áreas importantes para a sustentabilidade de qualquer país desenvolvido. Já estávamos todos avisados de que seria necessário cortar nas gorduras do Estado, todavia não deixa de ser curioso verificar que enquanto se discute a importância de reduzir o Orçamento das pastas sociais, temos 98 gestores públicos (dados dos relatórios e contas das empresas de 2009, os últimos disponíveis) em Portugal a auferir salários mais elevados que o Presidente da República. O vencimento do nosso Chefe de Estado cifra-se nos 91 mil euros por ano, enquanto que em média, cada um dos gestores públicos ganha 182 mil euros por ano, ou seja, o dobro. Contas feitas, a imposição de um tecto salarial, por valores idênticos aos do Presidente da Republica, permitiria uma poupança de perto de 8,9 milhões de euros anuais. Como este exemplo existem outros tantos que evidenciam desperdício na afectação de recursos financeiros. Uma vez que o Estado parece preocupado com a sua silhueta, aconselharia o mesmo que qualquer nutricionista, uma dieta equilibrada em vez de amputar membros que venham a fazer falta com o intuito de pesar menos na balança.
Pedro Nunes, Gestor