Ainda que de fora, o meu pensar, durante todo o dia de hoje, estará bem presente na Madeira, pelo menos até serem conhecidos os resultados da votação nas eleições regionais, cujas mesas de voto abrem quase em simultâneo com a das bancas de jornais onde o Diário é posto à venda. Após uma campanha recheada que foi, como é habitual, de episódios e incidentes, a expectativa é enorme, nomeadamente, em resultado da situação das finanças públicas nacionais e regionais, tema que absorveu todos os partidos, na luta pelo voto e a que, também em diversos apontamentos publicados, não deixei sem comentar. Alertei, inclusivamente, para a conveniência de ser adiado o acto eleitoral, para assim permitir um mais amplo entendimento daquela situação e a ponderação sobre o futuro que a todos os madeirenses diz respeito, o que não terá sido considerado oportuno pelos decisores competentes e daí haver que aguardar pelo novo governo, a sair destas eleições. Em resultado de alguma confusão, quiçá intencional, levou algum tempo até ficar claro qual a natureza e o valor da dívida pública da Madeira, bem como a sua repercussão a nível nacional. A media em geral ocupou-se também do tema, sendo de relevar a notícia circulada pela LUSA, nos últimos dias, em conexão com declarações de deputados madeirenses e do vice-presidente da Assembleia da República, podendo entender-se que o total da dívida nacional atinge os 332,8 milhões de euros, em cujo montante está incluída a dívida da Madeira que atinge os 6,3 mil milhões. Independentemente de outras considerações, parece fazer falta alguma percepção no que diz respeito ao que poderá definir-se como o seu peso relativo. Assim, tomando aqueles dois valores que já não oferecem dúvidas e tendo em consideração a distribuição da população nacional recorrendo à clássica "regra de três simples", é fácil concluir-se qual é o 'peso' da responsabilidade de cada membro da população pelas dívidas nacional e regional. Ora, de acordo com o ultimo censos realizado no ano em curso, a população residente de Portugal, incluindo as regiões autónomas, era de 10.556.000 habitantes sendo a da região autónoma da Madeira, de 268.000. Tomando, então, o valor da dívida nacional, pode dizer-se que a responsabilidade individual de cada português - excluída a população madeirense, obviamente - 'pesa' 580 euros, o que, acrescida a dívida da Madeira, passa a ser de 597 euros. Considerando o valor da dívida da Madeira, isoladamente, dir-se-ia que a responsabilidade de cada madeirense 'pesa' 1241 euros. Porque o Continente, os Açores e a Madeira, são um todo uno e indivisível, ao ser assumida, colectivamente, a dívida global, a responsabilidade de cada português 'pesa' 597 euros, isto é, um acréscimo de cerca de 3%, ao passo que para os madeirenses representa uma redução superior a 50%, desnecessário se tornando evidenciar quanto 'pesa' a solidariedade nacional.
Francisco Leite Monteiro