Mário Trindade O meu amigo John da Câmara radicou-se nos Estados Unidos nos já longínquos anos 50 do século passado. Sempre com a sua terra presente, no espírito e no coração, de vez em quando manda-me e-mails muito interessantes. Este é um deles que o Câmara mandou-me e eu traduzi o melhor que pude: Heidi é a proprietária de um bar em Detroit. Ela já percebeu que todos os seus clientes são alcoólatras desempregados e, não pode mais se dar ao luxo de manter o seu bar. Para remediar este problema, veio-lhe à cabeça um novo plano de marketing que vai permitir aos seus clientes beber agora mas, pagar mais tarde. Heidi mantém o controlo das bebidas, que regista num livro para melhor conceder empréstimos aos clientes. A notícia espalha-se rapidamente à volta do " Beba agora, Pague depois" da Heidi, uma estratégia de marketing que tem como resultado um número crescente de clientes a inundar o bar da Heidi. Depressa passou a ter o maior volume de vendas de todos os bares em Detroit. Dando aos seus clientes inteira liberdade de não ter que pagar imediatamente depois de receber a bebida, Heidi é tentada, de vez em quando, a aumentar substancialmente o preço do vinho e da cerveja, as bebidas que são mais consumidas. Consequentemente, o volume bruto de vendas da Heidi aumenta maciçamente. Um jovem e dinâmico vice-presidente do banco local, reconhece que esta dívida dos clientes constitui valiosos activos futuros e resolve aumentar o limite de endividamento de Heidi. Ele não vê motivos para qualquer preocupação indevida já que tem as dívidas dos alcoólicos desempregados como garantia!! Na sede corporativa do banco, peritos especiais descobrem uma maneira de fazer enormes comissões e transforma estes empréstimos em títulos de clientes/bebida. Estes "valores" são então empacotados e negociados em mercados de valoes internacionais. Investidores ingénuos não entendem realmente porque os valores a ser vendidos como "AAA Secured Bonds" são na realidade dívidas dos alcoólatras desempregados. No entanto, a subida dos preços dos títulos de uma forma contínua e também dos valores mobiliários, em breve vão tornar-se nos items mais vendidos para algumas das maiores agências correctoras no país. Um dia, mesmo que o preço dos títulos no banco original local estejam a subir, um gerente de risco do banco decide que chegou a hora de exigir o pagamento das dívidas incorridas pelos bebedores do bar da Heidi. Então ele informa Heidi. Heidi, em seguida exige o pagamento dos seus patrões, alcoólicos, mas sendo alcoólicos desempregados não podem pagar as suas dívidas. Uma vez que Heidi não pode cumprir as obrigações do seu empréstimo, ela é forçada a declarar falência. O bar fecha e uns funcionários da Heidi perdem o emprego. Do dia para a noite os preços DRINK BOND sofrem uma queda de 90%. O valor patrimonial desabou e destruiu a liquidez do banco impedindo a emissão de novos empréstimos, portanto há um congelamento do crédito e da actividade económica na comunidade. Os fornecedores do bar da Heidi tinham entretanto concedido alargamentos nos prazos de pagamento e tinham investido os fundos de pensão da empresa em títulos Bond. Eles acham que estão agora confrontados com a necessidade de amortizar a sua dívida má e com a perda de mais de 90% do valor presumido das obrigações. O fornecedor de vinho também declara falência ao fechar as portas a uma empresa familiar que havia sobrevivido por três gerações, enquanto o seu fornecedor de cerveja é tomado por um concorrente, que de imediato fecha a fábrica e despede 150 trabalhadores. Felizmente, porém, o banco, a correctora e seus executivos respectivos são salvos e resgatados por um multimilionário, sem cordas e fusão de dinheiro ligado ao governo. Os fundos necessários para este resgate são obtidos de novo através de impostos cobrados aos empregados, da classe média, os não bebedores que nunca estiveram no bar da Heidi. Agora, dá para entender?