
O caruncho vai corroendo a jangada de salvação e insistindo que as contas não contam para nada Nada de novo na ilha. Oferecem-se banquetes, enfiam-se barretes. Enquanto houver espetada no braseiro, vinho à mesa e pão no tabuleiro, cerram-se as fileiras no apeadeiro, à porta das tendas dos comícios. Distribuem-se bandeiras laranjas com setas a apontar para os abismos, contam-se espingardas e escutam-se eufemismos em discursos que procuram exorcizar a culpa e sacudir a responsabilidade para bem longe. Para paragens além mar. De barriga empanturrada pelas graças do regime, ninguém se atreve a constatar o óbvio: “quem comeu a carne, que agora roa os ossos!” Aos palcos, sobem os artistas de sempre. Estamos já a pagar qualquer coisa como 5 milhões de euros através daquele grotesco financiamento aos partidos, aprovado pelo hemiciclo onde reina a prepotência de uma maioria esmagadora que tarda a receber uma lição de democracia. Ainda se compram votos oferecendo música. E pimba! Haja alegria. Viva o lema do presidente - “por as pessoas felizes e não agradar aos ministros das Finanças”. O chavão popular grassa. Assa a inteligência e acimenta a ignorância. Haja sapiência. Depois do dia 9, o acordeão dará lugar ao cravo. Talvez se comece a ouvir a marcha fúnebre durante a rendição à inevitabilidade. Quem terá de assumir os pecados deste desgoverno perante todos os ministros das Finanças da Europa? Durante o lento naufrágio, vamos ouvindo que a culpa é dos submarinos do Paulo Portas, do porta-contentores com os milhões que Sócrates não quis desamarrar de Lisboa em 2007 ou das “vacas sagradas” europeias, as tais, fixadas em números e em dinheiro. Caímos no ridículo de ouvir argumentos tão pirosos quanto as rimas dos artistas dos comícios - os buracos do Continente são maiores do que os da Madeira - e nem damos pelo buraco que se rompe na nossa algibeira. Ficaremos gregos num instante. Que plano de resgate existe para os madeirenses? Cá fora, tudo igual. Contam-se tostões e promovem-se 73 chefes de uma assentada só nas administrações. Tudo gente competente. Promete-se o impossível. Quem mais jura, mais mente. As obras públicas vão "sempre prà frente", assim mesmo conforme reza o sentido único dos cartazes do PSD-M. Um rol delas tornam-se de repente “prioridades inadiáveis” e são executadas mesmo sem dinheiro para pagar. As máquinas continuam a carburar a crédito. Todos os dias e noites. Domingos e feriados. Os operários redobram o trabalho em horas extraordinárias para que tudo fique pronto dias antes do voto cair na urna. Na política das inaugurações eleitoralistas vale tudo: confundir o Estado com o governo, o chefe do governo com o líder do partido; esconder o custo; ocultar o buraco financeiro que é aberto e aquele que ficará por tapar; improvisar arruadas com fanfarras e bandeiras; (re)inaugurar o que já funciona há meses; túneis a cheirar a alcatrão novo, sem bocas de incêndio e equipamentos de segurança; bocas incendiárias contra quem pensa as soluções e contra quem ainda procura ajudar. Cortar a fita e exibir obra vale o título de caloteiro, de mentiroso, de pedinte. Paga o povo um dia mais tarde... sabe Deus quando e como. Terá valido a pena esta contrapartida? Deixar como herança aos nossos filhos, aos nossos netos, esta pesada factura, enquanto o caruncho prossegue o flagelo, deixando marcas na madeira nova e envernizada, prosseguindo impune e levianamente o processo corrosivo na jangada de salvação, insistindo que as contas não contam para nada?
O caruncho vai corroendo a jangada de salvação e insistindo que as contas não contam para nada
Nada de novo na ilha. Oferecem-se banquetes, enfiam-se barretes. Enquanto houver espetada no braseiro, vinho à mesa e pão no tabuleiro, cerram-se as fileiras no apeadeiro, à porta das tendas dos comícios. Distribuem-se bandeiras laranjas com setas a apontar para os abismos, contam-se espingardas e escutam-se eufemismos em discursos que procuram exorcizar a culpa e sacudir a responsabilidade para bem longe. Para paragens além mar. De barriga empanturrada pelas graças do regime, ninguém se atreve a constatar o óbvio: “quem comeu a carne, que agora roa os ossos!”
Aos palcos, sobem os artistas de sempre. Estamos já a pagar qualquer coisa como 5 milhões de euros através daquele grotesco financiamento aos partidos, aprovado pelo hemiciclo onde reina a prepotência de uma maioria esmagadora que tarda a receber uma lição de democracia. Ainda se compram votos oferecendo música. E pimba! Haja alegria. Viva o lema do presidente - “por as pessoas felizes e não agradar aos ministros das Finanças”. O chavão popular grassa. Assa a inteligência e acimenta a ignorância. Haja sapiência. Depois do dia 9, o acordeão dará lugar ao cravo. Talvez se comece a ouvir a marcha fúnebre durante a rendição à inevitabilidade. Quem terá de assumir os pecados deste desgoverno perante todos os ministros das Finanças da Europa? Durante o lento naufrágio, vamos ouvindo que a culpa é dos submarinos do Paulo Portas, do porta-contentores com os milhões que Sócrates não quis desamarrar de Lisboa em 2007 ou das “vacas sagradas” europeias, as tais, fixadas em números e em dinheiro. Caímos no ridículo de ouvir argumentos tão pirosos quanto as rimas dos artistas dos comícios - os buracos do Continente são maiores do que os da Madeira - e nem damos pelo buraco que se rompe na nossa algibeira. Ficaremos gregos num instante. Que plano de resgate existe para os madeirenses? Cá fora, tudo igual. Contam-se tostões e promovem-se 73 chefes de uma assentada só nas administrações. Tudo gente competente. Promete-se o impossível. Quem mais jura, mais mente. As obras públicas vão "sempre prà frente", assim mesmo conforme reza o sentido único dos cartazes do PSD-M. Um rol delas tornam-se de repente “prioridades inadiáveis” e são executadas mesmo sem dinheiro para pagar. As máquinas continuam a carburar a crédito. Todos os dias e noites. Domingos e feriados. Os operários redobram o trabalho em horas extraordinárias para que tudo fique pronto dias antes do voto cair na urna. Na política das inaugurações eleitoralistas vale tudo: confundir o Estado com o governo, o chefe do governo com o líder do partido; esconder o custo; ocultar o buraco financeiro que é aberto e aquele que ficará por tapar; improvisar arruadas com fanfarras e bandeiras; (re)inaugurar o que já funciona há meses; túneis a cheirar a alcatrão novo, sem bocas de incêndio e equipamentos de segurança; bocas incendiárias contra quem pensa as soluções e contra quem ainda procura ajudar. Cortar a fita e exibir obra vale o título de caloteiro, de mentiroso, de pedinte. Paga o povo um dia mais tarde... sabe Deus quando e como. Terá valido a pena esta contrapartida? Deixar como herança aos nossos filhos, aos nossos netos, esta pesada factura, enquanto o caruncho prossegue o flagelo, deixando marcas na madeira nova e envernizada, prosseguindo impune e levianamente o processo corrosivo na jangada de salvação, insistindo que as contas não contam para nada?