João M. R. Sousa Na dupla qualidade de sócio do Sindicato de Professores da Madeira e de ex-dirigente do mesmo, sinto-me obrigado a tornar pública a minha discordância relativamente à data escolhida para a inauguração do Centro de Formação e da Nova Sede do SPM, cerimónia que será presidida pelo sr. Presidente do Governo Regional. Se o convite ao dr. Alberto João Jardim era mesmo inevitável, considero absolutamente inoportuno fazer coincidir a referida cerimónia com a campanha eleitoral para as legislativas regionais, por várias razões. O ilustre convidado da Direção atual do SPM, para além de Presidente do G. R. é cabeça de lista da candidatura do PSD-M ao mencionado acto eleitoral, o que pode configurar um aproveitamento político-partidário inaceitável e condenável. Não questiono a legitimidade que lhe confere o cargo institucional que exerce para A. J. Jardim presidir à aludida inauguração. Por isso mesmo, não me oporia à sua presença, desde que tal acto ocorresse fora do período eleitoral. Mas, se o objectivo era, na verdade, conferir maior solenidade às comemorações do Dia do Professor, que se assinala na mesma data, então Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF, que muito tem feito pela classe docente, seria a personalidade mais recomendada para o efeito. Lamento imenso esta polémica desnecessária, ainda por cima numa data história para muitos sócios do SPM, que, finalmente, viram concretizar-se um sonho de muitas gerações, mas não ficaria bem com a minha consciência se não denunciasse esta instrumentalização, esta submissão, este favor ou beija-mão das madames e "senhores do templo" sindical aos "senhores do tempo", como diria o sr. Pe. José Luís Rodrigues, que tiveram tantas oportunidades para conquistar o voto dos docentes da RAM e que não souberam ou não as quiseram aproveitar, designadamente na revisão do ECD-RAM, na recuperação do tempo de serviço congelado, no modelo de avaliação, no pagamento aos docentes de verbas em atraso,… Neste Dia do Professor, o que os docentes madeirenses certamente gostariam de inaugurar era um sindicalismo docente forte, livre, independente e não instrumentalizável para melhor defender os seus associados e a Educação. São utopias? Talvez. Mas, como diz Sebastião da Gama, «Pelo sonho é que vamos»…