Vista de fora a situação da Madeira é incompreensível, intolerável e insuportável. Parece um espécie de filme trágico-cómico com um protagonista decadente e um público apático e acéfalo, que não percebe que está a pagar caro por um espectáculo de fraca qualidade. A maior parte dos portugueses do continente não faz ideia do que se passa no Funchal, quanto mais no Curral das Freiras e na Madeira mais profunda. Por isso, não entende como é que os madeirenses podem dar protecção a um gastador compulsivo, com tiques megalómanos e laivos de falta de tino. É um exercício impossível: Perceber, a partir de Lisboa, porque ainda se vota em Alberto João Jardim e como ele pode conquistar debaixo de fogo mais uma maioria absoluta. Não é concebível que um presidente que precisa urgentemente de mais de 3,5 mil milhões de euros, para não deixar falir a Região que governa, continue a estrebuchar que não assina nada com ninguém. Não é aceitável os excessos de linguagem, o rancor e a má-criação. A guerrilha em que transformou a política regional. O proteccionismo das famílias do regime menos ainda. E as contradições, os 'lapsus linguae' e a sem vergonhice. Vistas de fora, as eleições de 9 de Outubro são uma agonia num país que respira liberdade democrática. Eu só geograficamente vejo de fora. Porque antes de observar de fora, respirei por dentro. Sei que em campanha eleitoral recorda-se a protecção social (que é o Estado que dá e não os partidos) e troca-se material de construção por votos, numa intimidação e chantagem inadmissível à luz dos dias. E fazem-se outros malabarismos. De fora - com o coração dentro - compreende-se mais, mas esse esclarecimento não torna menos doloroso este exercício de quem antecipa o abismo, mas nada consegue fazer para impedir a queda.
Sandra Cardoso, Jornalista do DIÁRIO, em Lisboa