Quando o poder perde o juízo, o Povo tem de fazer alguma coisa. É assim que nascem as revoluções, os movimentos sociais, os protestos e as mudanças. Porque só ao Povo compete alterar a forma como é governado e contrariar os desmandos de quem não sabe mandar. E o nosso Povo está a começar a ficar farto e já apareceu nas ruas.

Curiosamente, os primeiros a protestar foram os que têm por missão travar os protestos: os polícias. Um sinal de que se as coisas aquecerem... aquecem mesmo. Portugal pode entrar num caminho perigoso se este Governo continuar a tomar decisões como a mais recente, numa das áreas mais sensíveis: a Saúde. Pelo que foi dado saber, o investimento na luta contra a SIDA, no tratamento e na prevenção da doença, vai diminuir. Uma opção que até pode encaixar nas contas e nos balanços orçamentais, mas que é uma barbaridade, a juntar a muitas outras.

É óbvio, e compreensível pela esmagadora maioria dos portugueses, que são necessários cortes nas despesas e em certos benefícios, mas há coisas em que não se pode cortar.

Até hoje, nunca percebi qual era o drama de ser necessário investir, todos os anos, milhões na saúde, na educação, nos transportes e na justiça. Sempre pensei que os meus impostos eram para isso mesmo, para garantir serviços considerados essenciais e que estes não dariam lucro. Também nunca percebi aquela teoria do 'utilizador pagador', muito cara aos neoliberais, mas que erra logo na base, porque todos somos pagadores, muito antes de sermos utilizadores seja do que for.

É também esta necessidade de garantir o bom senso orçamental, de cortar na loucura economicista, que deverá estar presente quando se desenharem planos de austeridade extra para a Madeira. Todos sabemos que vamos sofrer para pagar uma dívida colossal e que até há pouco tempo era desconhecida ou minimizada, mas é desejável que o doente, que já está muito debilitado, não morra da cura. Porque por aqui também há Povo, mesmo que ande anestesiado há muito tempo.