Aquele que a 9 de Outubro foi o 8.º deputado eleito pelo PSD ameaça, enxovalha, ofende, agride e mente. Não estamos a falar de um delinquente gerado pela pobreza e que nasceu sem berço, mas do mais jovem cadastrado político regional, vencedor porque lhe deram votos e apoio institucional, um dos muitos que beneficia das costas largas onde agora, alegadamente, se enfiam facas e de outros proteccionismos e cumplicidades que cabe à justiça tirar a limpo. O líder da JSD já é um caso clínico. Porventura, mais um a ser tutelado por quem tem a pasta dos Assuntos Sociais. Urinar num carro da polícia, gritar que quer ver o DIÁRIO a arder ou agredir um deputado são apenas os mais conhecidos dos seus inqualificáveis actos. A estes juntam-se o palavreado fútil, os danos ao bom nome e os atentados à qualidade da democracia. Dizem-me que são coisas de gente nova, logo, genuínas. É que, uma vez em grupo, não pensam e, pior, reproduzem as circunstâncias. Nem comento as desculpas, como não generalizo. As generalizações sempre penalizaram mais os que apanham por tabela do que os autores das patifarias alvo de reparo. No PSD-M não falta gente de valor, que pensa no futuro, que não se mistura com a violência gratuita, que não se pendura em autocarros e que tem da política uma visão lúcida e consciente. “Temos que seguir em frente, munidos de valores éticos para a actuação política” escrevia por estes dias Rubina Berardo, a candidata que os jovens do PSD não escolheram para liderar a ‘jota’ que em tempos foi escola de valores e bons costumes. Antes de conquistar a imunidade que precisa, José Pedro Pereira devia ler o que se escreve no blogue ‘Geração da Autonomia!’, onde Rubina Berardo deixa várias recomendações aos eleitos para a Assembleia Legislativa: que “os extremismos fiquem à porta, e que os excessos violentos da campanha sejam controlados de uma vez por todas”; “que os políticos têm que ser exemplos para a população, especialmente quando se trata da juventude”; “que todos os deputados eleitos honrem a responsabilidade cívica que paira sobre cada mandato da ALRAM”, pois é fundamental “que sejamos governados e representados por cidadãos responsáveis”. Cabe ao adulto PSD-M diagnosticar o que leva alguns dos seus a entrar de pés juntos na vida pública regional, desrespeitando tudo e todos, humilhando quem faz por viver com dignidade e ultrajando a memória colectiva. Mudar de vida impõe-se. No novo ciclo que obriga a um mudança de posturas, por muito irónico que possa parecer, até a saída do bem instalado Brazão de Castro do executivo regional acaba por ser uma perda de vulto. É preferível ter que conviver de perto com o discurso ponderado, ensaiado e lido do que com improvisos dantescos. É preferível lidar com a previsibilidade de quem lê sempre positivamente as taxas de desemprego, por mais negativas que sejam, do que conviver de perto com perigosos gangs à procura de empregos fáceis. É preferível saber que na obediência aos elementares hábitos do funcionalismo público um governante sai a horas e sem alvoroço do que cruzar-se com desordeiros fora de horas.