Santos Pedrosa Um dos temas que mais celeuma tem causado principalmente na esfera política é o do Mundo Offshore. Para uns, porque é o caminho fácil para camuflar a origem do dinheiro, para outros porque é a via mais rentável para fugir aos impostos e ainda há quem atribua a esses paraísos fiscais, como sendo uma das muitas causas da crise mundial em que nos encontramos. No entanto o que é intrigante é uma outra questão menos técnica e mais moral. Naturalmente que o dinheiro que o antigo ditador líbio tinha era tudo menos honesto, legítimo ou justificado. No entanto e porque era representante de um Estado, o líbio, nunca ninguém se atreveu a questionar a origem dessas elevadas quantias espalhadas pela Europa e Mundo inteiro. Em Portugal, o mais honesto dos portugueses tem de dar resposta e justificações para todos os cêntimos que lhe sejam encontrados no bolso, no entanto os 1.300 milhões de euros que Kadafi tinha na Caixa Geral de Depósitos nunca foram questionados, pelo contrário eram e foram bem -vindos. Entre 2007 e 2010 foram injectados pelo ex. ditador, milhões de euros no banco francês Société Génerale que ajudaram à salvação deste, mais uma vez ninguém questionou, todos aplaudiram. Declarada a guerra civil líbia entre rebeldes e apoiantes de Kadafi, toda a comunidade internacional tratou de expressar que o ditador teria de ser deposto. Em que mundo vivemos? Será que a ética está perdida em algum bunker? O que se está manifestamente a defender não é, que a título de exemplo, Portugal e França, apoiassem declaradamente Kadafi, mas sim, a não-aceitação por parte dos bancos destes países do dinheiro em questão. Até porque Kadafi não se tornou criminoso e corrupto há duas semanas atrás.