Em contexto educativo, afirma-se que o sucesso no desenvolvimento da aprendizagem dos alunos está fortemente relacionado com motivação para aprender. Aquele que está motivado procura novos conhecimentos e oportunidades, mostra-se envolvido no processo de aprendizagem e participa nas tarefas com entusiasmo e disposição para novos desafios. Mas será que essa é a realidade não só das nossas salas de aula, mas também dos nossos locais de trabalho? As pessoas, (alunos e trabalhadores) estão realmente motivados a participar nas actividades/tarefas com gosto, entusiasmo, persistência e dispostos a desafios? Em geral, a resposta é NÃO! Parece haver uma espécie de círculo vicioso que se instalou no contexto escolar e também no contexto laboral. Em que consiste esse círculo vicioso? Em ambiente educativo, significa que o aluno não tem um bom desempenho na aprendizagem e culpa o professor pelo seu fracasso. O professor, por sua vez, porque acredita que o aluno é o único responsável pelo seu fracasso, não se empenha em motivá-lo para a aprendizagem. E, assim, ambos vão justificando os seus comportamentos, colocando a responsabilidade pelo fracasso no outro. O mesmo parece estar a passar-se, há já algum tempo, no mundo laboral, onde (com as devidas diferenças) se pode facilmente substituir o aluno pelo trabalhador e o professor pelo responsável (patrão, chefe). É possível romper com este círculo vicioso e, consequentemente, criar um clima favorável à motivação? Uma resposta positiva implica seguir um caminho que evidencie a propensão natural inata que todas as pessoas têm para a realização das suas actividades e que desafia as habilidades já existentes. Nesta perspectiva de autodeterminação, as pessoas agiriam de forma espontânea, por vontade própria (motivação intrínseca) e não a partir de pressões externas. Deste modo, a saída desta crise, deste círculo vicioso será possível através do desenvolvimento de orientações motivacionais autodeterminadas e isso passa necessariamente pela realização de três necessidades psicológicas fundamentais: por um lado, a necessidade de autonomia (as pessoas acreditam naturalmente que têm capacidade para realizar uma tarefa por vontade própria e não por pressões externas), por outro, a necessidade de competência (a pessoa é capaz de interagir de modo satisfatório com o seu meio) e, por fim, a necessidade de relação (a pessoa estabelece relações e vínculos e deseja pertencer ou fazer parte de um contexto). É importante, por isso, promover a motivação intrínseca no processo escolar e laboral, isto é, a escolha e a realização de determinada actividade /tarefa é feita, por esta ser interessante, atraente ou, de alguma forma, geradora de satisfação e não apenas para a obtenção de recompensas, de reconhecimento ou, atender a ordens e pressões de outras pessoas. Igualmente a valorização das interacções favorece o estabelecimento de vínculos seguros, o que representa um maior envolvimento e empenho de todos nas suas actividades e, consequentemente, um melhor desempenho académico e profissional. Apesar da complexidade desta temática, queremos afirmar, com esta acção reflexiva, que uma forte motivação intrínseca, o sentir-se bem onde se está, ser respeitado e incluído, além de ser ouvido e poder se expressar, fazem parte dos ingredientes necessários para sair do círculo vicioso em que nos encontramos.

Marco Gomes