Novo governo, velhas questões. E a primeira de muitas coloca-se no patamar da decepção generalizada. De repente, até no seio da maioria, parecem ser poucos os que apreciam os nomes anunciados e a orgânica demoradamente desenhada. Só que a revolta, feita de argumentos gastos e uma vez proporcional à desilusão, nada muda. Quem agora chora e protesta devia ter pensado no assunto, que era e continua sério e grave, a 8 de Outubro. Nesse dia de reflexão, munidos de todos os avisos e sinais, os madeirenses deviam ter pesado o risco e consequências de determinadas opções. Em consciência, a maioria preferiu seguir em frente com os mesmos de sempre. Ou seja, assumiu de forma soberana identificar-se com o estilo e com a actuação de um governo com mais de 30 anos de fama e obra, de irregularidades e de autismo. Por isso, é tardio e hipócrita o lamento repentino. Era previsível o desfecho que agora é tido como inconcebível e inqualificável. Alberto João Jardim está legitimado desde 9 de Outubro para tudo. Até para defraudar expectativas, para não cumprir promessas, para ter um executivo dominado pelos imperativos de uma agenda económica ditada de fora para dentro, para continuar a deixar de lado a parceria construtiva com os melhores dos madeirenses e para não apostar num novo paradigma e modelo de desenvolvimento que liberte a Região de dependências fatais. A estratégia traçada por quem nunca foi dado a grandes mudanças não era passível de desviar-se de rumos anteriores. Por isso, sem espanto, há agora "mais do mesmo". Mas quantos a contestaram no local próprio e em tempo oportuno? E quantos anteontem, em plena reunião da Comissão Política do PSD-M, ousaram dizer na cara de Jardim que o Governo nem corresponde aos mínimos aceitáveis, aos 48% de votos obtidos? Na opção feita, apesar de discutível, o líder do PSD-M tem alguns méritos. Acaba por propor um governo que, aparentemente, não agrada a ninguém. A desvalorização deriva da não renovação de quadros, da falta de visão estratégica e da alegada incapacidade de ter negociadores credíveis junto do governo central. As expectativas estão assim muito baixas, mesmo para quem esperava milagres, que fossem recuperados activos valiosos, alguns dos quais sem a noção dos limites e dos absurdos, que houvesse súbitas disponibilidades para gerir causas perdidas, dívidas ocultas e uma autonomia moribunda. Jardim também mantém nos dossiers polémicos aqueles que mais responsabilidades têm no estado a que a Madeira chegou, o que permite comprovar que na política, para além da ingratidão, há solidariedade efectiva que implica não deixar descalço quem muitas meias solas deitou, nem abandonar o barco quando este denota elevadas probabilidades de naufragar. Resta-nos ser exigentes com todos quantos são chamados a governar. Por serem os mesmos, não há margem para tolerâncias. Ou cumprem ou devem demitir-se. Ou descem à terra das insolvência e dos calotes e resolvem dramas sociais ou então assumem desde já que este é um governo provisório, refém de si próprio, sem margem para surpreender, nem servir. Sobre o XI governo regional, antes de o conhecermos e de sabermos competências e funções, nomes e ambições, deixámos bem claro que não poderia continuar a ceder ao populismo e à demagogia, à rede clientelar e às apostas desnecessárias. Nessa altura, os que agora reclamam, escarneceram. Paciência! João Pedro Martins, Investigador O autor do livro polémico veio à Madeira dar a cara. Ao aceitar debater pontos de vista com quem sabe da praça madeirense, contribuiu para a percepção de que o CINM é fundamental. Pena é que alguns faltassem ao debate de ideias. Medo? Luís Baptista, Professor Venceu o 'Madeira Valor Mais' e teve o mérito de provar que a um notório crescimento económico nem sempre corresponde um eloquente desenvolvimento. Tomara que a sua investigação motive alunos da UMa para outros estudos. Joe Berardo, Empresário Assume que tem uma dívida substancial , facto que não o desvia da missão: lutar pelo bem da humanidade. Um rumo que o leva a ser frontal e polémico. Jardim, a quem pede responsabilidades por causa das contas públicas, que o diga! Rui Alves, Presidente do Nacional A gestão presidencialista do clube começa a indignar quem o sente de uma forma diferente. Rescindir com Ivo Vieira, para colocar Pedro Caixinha, para além de não garantir a estabilidade desejada, compromete a 'prata da casa'. Um erro. Jaime Freitas, Professor Aceitou o desafio de integrar o governo numa altura em que muitos recomendam cautela política e distanciamento em relação à coisa pública. Por ser a única novidade no executivo, goza de maior margem de manobra. Que não se deslumbre.