Os sonhos também podem acontecer! Por acaso, por coincidência, ou fazendo com que os sonhos sejam reais, que os acontecimentos se realizem! Com a imperiosa necessidade de mudança no plano estratégico do seu desenvolvimento o desporto regional espera paciente e ordeiramente pelas novidades. Esta calma, esta paciência, esta expectativa, será o que caracteriza as pessoas civilizadas? Parece que estamos todos conscientes deste fado, que porventura será fatalmente o nosso destino. O meu sonho está repleto de calma pelo sono, mas de grande actividade, em acções, em antecipar o futuro, em ser guiado pelas ideias e não pela inevitabilidade e precipitação dos acontecimentos. Então onde está a nossa autonomia? Nestes anos todos, será que ainda não soubemos aprender que tínhamos que guiar e orientar os nossos destinos, construindo um futuro à medida das nossas ambições, bafejado pelas nossas expectativas e modelado com o nosso esforço. Será o preço desta civilização e da nossa autonomia, sermos expectantes passivos, e de esperança comedida, esperando que o "pai governo", nos diga o que verdadeiramente nos espera, aquilo que nos vai dar, e o que devemos fazer? E a nossa própria vontade? Sonhei que os agentes desportivos, com o dinamismo e resistência que já demonstraram, queriam participar na reforma e adequação de novas politicas desportivas. Com a experiência já vivida, contribuindo com sugestões para novos programas de desenvolvimento desportivo, novos caminhos para uma prática mais virada para as pessoas e menos para a competição. O paradigma da afirmação do potencial ilhéu, há muito confirmado, tem de dar lugar a uma actividade, onde a excelência seja o corolário do desenvolvimento integral das capacidades dos nossos jovens, sustentado por uma prática que seja mais saudável, muito pedagógica e fortemente apelativa. Quem será capaz de aproximar, envolver as diferentes instituições que tutelam o desporto, colocando-as no patamar de cooperação, de resolução dos novos desafios que o desporto e a prática de actividade física estão agora confrontados, num clima de quase em desespero. Sonhei, que a universidade, as associações, os diferentes agentes do desporto federado e do escolar, tinham encetado reuniões parcelares discutindo e intervindo num ambiente de crescendo de participação cívica, por forma dar contributos para um desporto melhor. Sonhei, que estaríamos mais responsabilizados se participássemos activamente, mais envolvidos no nosso futuro, deixando um legado inquestionável, na capacidade de construir esse mesmo futuro num clima de adversidade, mas também de oportunidade. Sonhei que todos participávamos, sem o recurso do tipo de caça às bruxas, sem culpados, mas com todos aqueles de boa vontade, com o saudosismo do passado que nos orgulhamos, mas com a certeza que temos de mudar os nossos comportamentos nem que para isso a reformulação de processos, seja uma revolução das ideias, das acções para uma mudança concreta e sustentada, para aproveitarmos a ocasião. Sonhei, acordei e acredito que vamos entrar no futuro.
Rui Mâncio, Director técnico da AFM