Em tempo de crise e em que a incerteza marca o futuro próximo, este Marítimo, para além do que possa acontecer até ao final da temporada, é grande revelação da Liga Profissional do Futebol Português. Tal, aliás, como preconizara o seu treinador. Uma situação tanto mais evidente quando, no arranque da época, poucos, no qual me incluo, davam algum crédito a esta equipa. Neste contexto, assume um tamanho ainda maior o trabalho que Pedro Martins vem desenvolvendo à frente de um plantel escasso em opções de qualidade. Sem Kléber e Djalma, duas das maiores referências da época anterior, e praticamente sem reforços, na realidade, as perspectivas eram poucas. Sem dinheiro para grandes cometimentos, diz-se que é nestas alturas que a necessidade aguça o engenho, e Pedro Martins socorreu-se da equipa B para apostar no jovem madeirense internacional Sub-21, Rúben Ferreira, e no guineense Sami, para além de Olberdam, deixado ao ostracismo pelo anterior treinador. Mesmo que paradoxalmente a saída de Kléber, quiçá, tenha permitido ao treinador maritimista conquistar um grupo. Mesmo assim, reconheça-se, os primeiros dados não foram positivos nem auguravam grande coisa. O empate na estreia frente ao Beira-Mar, e, sobretudo, a derrota e uma exibição insípida em Braga, assim indicavam. Tudo mudou em Alvalade. Pedro Martins aposta num tridente de meio campo com Roberto Sousa, Rafael Miranda e Olberdam, numa situação que parecendo de recurso, face à indisponibilidade de Benachour, tornou-se numa solução feliz e extremamente bem conseguida. O Marítimo vencia o Sporting e ganhava uma equipa. E aqui entra o mérito do treinador: conseguir reunir à sua volta um grupo unido, coeso e motivado, ciente das suas capacidades mas, sobretudo, sabedor das limitações de que o plantel enferma. E todo o grupo sabe que este Marítimo dificilmente vai oferecer ópera aos seus adeptos, mas pode sempre prometer vontade de vencer. Mas atenção! Vem o Inverno, vêm as lesões e os castigos, as arbitragem negativas, Baba pode sair em Janeiro, pelo que tudo está em aberto nesta fase da época. Daí que este pecúlio gordo de pontos, conquistado até agora, constitua uma excelente almofada para o futuro imediato. Mas, como bem diz Pedro Martins, não peçam mais a este grupo, porque a mais não é obrigado.
Emanuel Rosa, Repórter