Tempos houve da Comunidade Europeia. Era um clube selecto sem tantos burocratas, tantos poderes, tantos interesses, tão-somente um mercado comum. A História, que é cíclica, mostrou que todas as tentativas europeias de federação acabaram, permitam-me a expressão, 'à pancada'. Porque é que será diferente esta vez? Desde 2008 que se ouve falar em crise económica mundial e por todo o Continente, os interesses nacionais sobrepuseram-se aos europeus. As grandes potências europeias receberam imigrantes nos seus territórios que asseguraram o que os seus não queriam fazer. Dominaram a Indústria dos vizinhos menos ditosos, beneficiando de mão-de-obra mais barata, de ajudas governamentais e de isenções fiscais. Dominaram o comércio com os seus produtos, de bens essenciais a artigos de luxo. Ocuparam nichos em diferentes actividades económicas. Os tais países que não eram potências não se souberam impor dentro dos seus territórios, não tomaram as rédeas do seu futuro e agora têm que pedir dinheiro para o básico, pagá-lo com juros e cortar no que se torna acessório. Os seus credores são novamente as potências. Então a União Europeia há muito que deixou de ser uma comunidade, um conjunto de comuns, de iguais, com um propósito único - se é que alguma vez o foi! É uma sociedade, um conjunto de sócios (que ganham conforme o investimento que fizeram) que se dá ao luxo descartar quem coloca em riso a empresa, incluindo fundadores. O interesse comum cedeu ao um conjunto de objectivos individuais. Pobre Portugal, faz-nos falta o ouro brasileiro!
Carlos Diogo Pereira, Colaborador da Associação Académica da UMa