Maria Manuela Alves Isto que aqui vou descrever, a ser verdade, não é mais do que a confirmação do ditado popular, 'até o lavar dos cestos é vindima' e está a acontecer nesta agora esburacada e deprimida ilha onde tanto se tem estuporado em nome do progresso e do bem estar das gentes, com a complacência também dos autarcas, deleitados com a criatividade e devaneios dos nossos arquitectos. Agora reformada, vivo por opção no Santo da Serra e entre os inúmeros maus exemplos que por lá são por demais evidentes desde sempre olho com tristeza aquele mercado construído de raíz para vender produtos regionais, e que agora não passa de um pobre e triste bairro de lata tendo como vizinho do outro lado da rua, agora com parquímetros, aquele verdadeiro monumento ao mau gosto, despesismo descarado e incultura que é uma série de bancadas em betão ciclópico destinadas a acolher vendedores que ao fim-de-semana ainda as vão ocupando. Na semana passada, quando em conversa com vizinhos fui informada que aquilo vai ser demolido e que naquele espaço vai nascer um Centro Cívico, mais um a juntar a tantos outros que por aí nasceram e que agora vivem muitas vezes às moscas e fedendo de bolor. A ser verdade, quais serão as opiniões do Presidente da Câmara de Machico, do iluminado e irrequieto Presidente da Junta de Freguesia e até do Sr Padre de Freguesia? Será que já não há qualquer pingo de juízo? Será que já não chega de alaridades? Não será mais lógico utilizar aquele espaço que faz partilha com a igreja e com uma quinta, para fazer nascer um campo verde dando o correcto enquadramento à singela Igreja inequivocamente valorinzando-a: O santo agradece e o ambiente também. Já agora convém investigar quem é o autor da obra a fim de tirar a limpo se o tal ditado popular se enquadra na presente situação. A bem de uma nova Madeira.