Leonardo Afonso Ainda há poucos dias o primeiro-ministro proferiu uma frase que causou indignação, zanga e alguma raiva. Disse ele o seguinte: «Só vamos sair da crise empobrecendo.» Sim, ele disse isto. Que infâmia! Que descaramento! Que atrevimento! Que insulto minaz! Como se atreve sua sumidade o Senhor Primeiro-Ministro em dizer a verdade!? Porque esta é a verdade meus caros leitores, os portugueses para saírem desta crise crónica precisarão de sacrifícios, de frugalidade e empenho. E é um facto que vamos empobrecer. Está certo que esta frase não possui nem uma gota de esperança, não galvaniza as massas, não entusiasma, não alimenta fantasias estéreis, mas tem um mérito que passou despercebido, é a verdade, a pura e singela verdade. Podemos estar aqui a nos lamentar e deixar que o ódio pela classe política viceje, mas Pedro Passos Coelho fez algo de inovador, disse a verdade e ainda bem que o fez. Conquistou o meu respeito e deu-me esperança sobre a nossa governação. Eu não me esquecerei tão cedo do malabarista Sócrates, e da sua retórica circense. Continuarei a acreditar que a maior infâmia de Alberto João Jardim foi mentir e ludibriar os madeirenses, criando a falsa ideia que poderíamos vive eternamente de expedientes financeiros. O Alberto João Jardim é um homem esperto, tal como Sócrates, um ilusionista que sabe safar-se bem nos meandros da política rasteira, mas é um homem que levou a autonomia à ruína, arruinando o futuro de uma geração que sobreviverá numa região sem um modelo económico digno desse nome. Os portugueses tem memória curta, os madeirenses também, mas agora que a dor chega a dentro da epiderme, talvez deixem de viver em fantasias.