Os buracos não são todos iguais já se sabe. Até às eleições regionais o das finanças públicas madeirenses era –em Portugal - o mais importante do Mundo, quiçá, para muitos, mesmo maior que o do ozono.

Era um buraco que merecia todos os holofotes e atenções mediáticas, que tinha honras de abertura de telejornais nacionais.

Mas agora, o buraco é só mais um e já não interessa. É natural que o facto de ter deixado de ser novidade tenha diminuido o seu valor notícia, ainda assim causa estranheza que a até então cratera passe a buraquinho insignificante, de um dia para outro.

Esta semana a Comissão de Orçamento e Finanças da Assembleia da República discutiu duas propostas do PCP - uma para que seja feita uma auditoria às contas públicas madeirenses pelo Banco de Portugal e outra para criação de uma comissão de acompanhamento. As propostas até foram chumbadas, e não é disso que se trata, mas só uma pequena parte do país soube disso. Para além do DIÁRIO, só lá estava mais uma jornalista da Atena 1, o que mereceu reparos até de um dos partidos.

É um ‘deja vu’. Depois de todos terem uma palavra a dizer sobre a Região e a sua governação absoluta há mais de 30 anos, caminhamos de novo para o tabu. “Não quero falar da Madeira” ou “não comento o dr. Jardim” eram as frases que mais ouvia de diferentes personalidades na capital, antes da descoberta do buraco. Creio que caminhamos para lá novamente.

Metem-se os buracos, o lixo e o que mais houver debaixo do tapete e faz-se de conta que não é nada connosco. Não se vai ao fundo do buraco. O país volta a fechar os olhos e só volta a se lembrar do buraco se por acaso alguém tropeçar ou cair lá dentro. Ou nas próximas eleições regionais, onde mesmo um buraco ressuscitado dá pano para muitas peças jornalísticas inconsequentes.