A hora da verdade, declarada por Vítor Gaspar no passado dia 17 à hora do jantar, deve ter provocado uma paragem de digestão a milhares de famílias. Os alvos principais das medidas anunciadas foram os funcionários públicos e os reformados, com os cortes no subsídio de férias e de Natal. E as grandes fortunas e os Bancos, passam ao lado? Será que são estes trabalhadores que estão em melhores condições para suportar a crise? O mais grave é que, o próprio governo não sabe dizer se estes cortes são apenas por dois anos ou se são para durar, em função dos objectivos a alcançar, tendo já demonstrado a sua ineficácia, pelo menos nos países onde já foram aplicados. Sabíamos que há décadas que Portugal vivia acima das suas possibilidades e que esta situação era insustentável. Mas o problema está nas opções encontradas, ainda que legítimas, assentes exclusivamente no deve e no haver dos números. Com tanta injustiça e insensibilidade social, esqueceram-se das pessoas, dando argumentos aos indignados e a futuras manifestações e greves que em breve vão estar na rua. A obsessão do défice está a matar a economia. Em democracia há sempre alternativas, mas foi escolhido o caminho mais fácil, precisamente ao contrário do que tinham prometido na campanha eleitoral. Além da subtracção de quatro salários, as deduções no IRS e o aumento do IVA para o escalão máximo no pequeno comércio e na restauração conduzirão a uma maior fuga fiscal. Simultaneamente, as deduções na educação, na saúde, o aumento do IVA em inúmeros bens alimentares, bem assim como o acréscimo da carga horária semanal a título gratuito, está longe de resolver o problema da competitividade. Esta austeridade trará recessão e só irá provocar mais desemprego. Como é que um país pode sair desta crise se não há medidas para relançar e dinamizar a economia. Enfim, a vida das pessoas vai ser cada vez mais difícil. E a Madeira totalmente dependente das transferências do OE e das verbas Europeias fica sem margem de manobra. Como vai sobreviver? Não obstante as recentes escolhas eleitorais, os madeirenses não mereciam tamanha penalização. Resta esperar, para ver se o governo PSD-CDS está com capacidade de abertura para alterar algumas das suas propostas orçamentais, em sede de discussão na especialidade.
Isabel Sena Lino, Deputada do PS