Quem julga que a minha reflexão centrar-se-á nas consecutivas perdas de pontos deste ou daquele clube engana-se. Talvez o devesse mas considero existir assunto muito mais sensível e pertinente a abordar. Não é necessário acompanhar as notícias difundidas pela comunicação social, regional e nacional, para verificar que a maioria dos clubes e associações desportivas estão, tal como as famílias, a viver tempos conturbados. Ao contrário das famílias, que não podem optar se pagam esta ou aquela despesa, que quase têm que optar por ir ao supermercado ou pagar as contas correntes da casa, os clubes podem e devem escolher quais as modalidades e projectos em que investem as parcas verbas de que dispõem. A questão polémica dos salários usufruídos pelos jogadores e treinadores já não é novidade. A falta de apoios públicos e a 'subsídiodependência' também não. Mas o que estará a faltar nesta equação? O que é necessário fazer para que os clubes não comecem a encerrar modalidades e equipas dos escalões de formação, ignorando a razão social pela qual nasceram e existem? Ora, se analisarmos os primeiros estatutos corrobora-se a ideia de que o clube existe tendo em vista o convívio e a actividade física e mental dos indivíduos e onde conceitos como sociabilidade, convivialidade, liberdade, criatividade, solidariedade, promoção e associativismo são elementos escritos nas entrelinhas. Encerrar modalidades e escalões pode ser uma estratégia económica eficaz mas poderá colocar em causa o futuro dos clubes, assumindo-se como um factor muito mais perigoso do que uma qualquer crise financeira. Cortar poderá não ser a solução.
Andreia Nascimento, Directora de Comunicação