A Selecção Nacional teve uma exibição deplorável no decisivo jogo de Copenhaga com a Dinamarca. Num jogo onde um empate bastava para assegurar a qualificação, Portugal perdeu, sem apelo nem agravo, diga-se merecidamente. Quando já não estávamos habituados a fazer contas para as qualificações, vamos agora enfrentar a Bósnia num play-off digno dum autêntico mata-mata, como bem descrevia Scolari. A verdade é que, a equipa das quinas é, hoje, uma equipa de nível médio europeu e não uma grande selecção como há alguns anos atrás, que chegou a encantar a Europa. Apenas Cristiano Ronaldo, Nani e Fábio Coentrão, são jogadores muito acima da média. Temos mais dois ou três jogadores de nível europeu, como Meirelles e Moutinho e a verdade é que tudo o resto é de qualidade mediana. Como dizia Otto Glória, que levou Portugal ao 3º lugar no Mundial de Inglaterra em 1966, "sem ovos não se fazem omoletes". Não temos um guarda-redes de classe; na defesa não se percebe como é que Bosingwa nem é convocado, agora que ultrapassou as lesões e é titular indiscutível do Chelsea; Ricardo Carvalho faz imensa falta; o meio campo é muito previsível e sem um jogador de génio; e quanto a pontas de lança estamos conversados quando Helder Postiga tem de ser titular. Esta é a verdade nua e crua: não temos uma grande selecção. A culpa não é do seleccionador. É das entidades responsáveis pelo futebol em Portugal - Federação e Clubes - que aprovam regulamentos que permitem formar um plantel com dezanove estrangeiros e apenas oito Portugueses. Somos o único país da Europa onde isto acontece. As eleições para a Federação estão à porta e talvez seja a oportunidade para arrepiar caminho. Mas já se viu que o que mais interessa é controlar o Conselho de Arbitragem, que agora passará para a alçada da Federação. O que se está a passar é um autêntico "cozido à portuguesa". Candidatos que num passo de mágica deixam de o ser; clubes que declaram apoio a um candidato e depois mandam um dos seus mais destacados dirigentes apoiar outro; um candidato, ilustre ex-administrador dum clube, que não tem o apoio do seu próprio clube; um presidente de Associação de Futebol que apoia um candidato contra a vontade dos seus próprios clubes filiados. Enfim jogadas de bastidores no seu melhor, bem à moda do nosso futebol. É melhor esperar para ver.

Rui Abreu, Chefe de Gabinete da CMF