'Prognósticos só no fim do jogo'. A frase, umas das 'calinadas da bola' mais famosas, é de um futebolista do meu FC Porto, mas poderia ser recuperada para a política regional. Pelo que foi possível perceber das declarações telegráficas e, como sempre, pouco polidas do presidente do PSD-M, chegado à Madeira depois de uma ausência de duas semanas, sobre o futuro Governo Regional só falará... no dia da tomada de posse. Ou seja, no fim do jogo. Até lá, vai continuar a reflectir sobre a equipa que terá por missão governar a Região nos próximos quatro anos.

Uma reflexão que parece servir para esconder as grandes dificuldades de formação de um Executivo que, ao contrário dos anteriores, tem pouco para oferecer e dificilmente conseguirá cumprir as promessas eleitorais surrealistas que foram anunciadas na campanha.

O provável futuro presidente do Governo tem a equipa na cabeça, pelo menos é o que diz, mas só vai anunciar os eleitos mais para a frente. Uma situação curiosa, sobretudo quando já se passaram mais de duas semanas sobre as eleições, a tomada de posse do parlamento é no dia 8 e, entretanto, há um Orçamento de Estado que ameaça deixar a Madeira sem transferências e os madeirenses a passar por mais privações do que aquelas barbaridades que já foram anunciadas pelo ministro Gaspar.

A situação seria caricata se não fosse tão trágico que, num momento em que toda a capacidade negociadora da Região é exigida, se mantenham silêncios que não são mais do que a ausência total de vias de comunicação com quem decide.

A Madeira precisa de negociadores e governantes, não de animadores de comícios e estrategas eleitorais. As reflexões sobre o Governo há muito que deveriam ter sido feitas, antes das eleições e, neste momento, já deveriam andar todos a correr.